Medidas são concessões a manifestantes que há 2 meses pedem renúncia de presidente por vínculo com a Rússia

Em uma tentativa de solucionar a crise política da Ucrânia, o primeiro-ministro apresentou sua renúncia nesta terça-feira e o Parlamento rejeitou leis antiprotesto que desataram confrontos violentos entre os manifestantes e a polícia.

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Manifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1)
AP
Manifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1)

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Os movimentos casados foram concessões significativas para os manifestantes que lutaram esporadicamente com a polícia pelos últimos dez dias após dois meses de uma mobilização incessante. Ainda assim, questões-chave continuam sem resolução na crise política ucraniana, incluindo as repetidas reivindicações da oposição para que o presidente Viktor Yanukovych renuncie e para a convocação de novas eleições.

Manifestações pacíficas contra a decisão de Yanukovych de recorrer à Rússia para um pacote de resgate em vez de assinar um acordo com a União Europeia (UE) se tornaram violentas depois que o presidente impulsionou novas leis para reprimir os protestos e aumentou as sentenças prisionais para crimes como criação de desordem. As leis incluem proibir as pessoas de usar capacetes e máscaras de gás, que muitos manifestantes utilizaram pelo temor de que as tropas de choque tentariam violentamente dispersá-los.

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Arseniy Yatsenyuk, um legislador que é uma das principais figuras da oposição, elogiou a medida do Parlamento. "Repelimos todas as leis contra as quais todo o país se levantou", disse.

A votação desta terça-feira do Parlamento foi feita horas depois de o primeiro-ministro Mykola Azarov — uma das figuras do governo mais desprezadas pelos partidários da oposiçao — ter apresentado sua renúncia. Ele afirmou que deixava o cargo por causa dos riscos à economia causados pelos dois meses de protestos nas ruas.

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A saída de Azarov foi aceita pelo presidente, que no entanto pediu que ele fique no cargo até que um novo governo seja formado. Yanukovych, porém, não informou quando o novo governo começaria a trabalhar. Durante o fim de semana, o presidente ofereceu o cargo de primeiro-ministro a Yatsenyuk, mas o líder da oposição rejeitou a oferta.

Azarov disse que pediu pessoalmente ao presidente que aceitasse o pedido de renúncia em prol de um acordo para encerrar pacificamente o conflito interno no país. "A situação de conflito que surgiu no país está ameaçando o desenvolvimento econômico e social da Ucrânia, criando um problema a toda a sociedade ucraniana e a cada cidadão", disse Azarov.

"Com o objetivo de criar meios extras para encontrar um acordo sociopolítico, em prol de um fim pacífico para o conflito, tomei a decisão pessoal de pedir ao presidente que aceite a minha renúncia", acrescentou.

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Azarov, de 66 anos, foi nomeado por Yanukovych após a eleição presidencial de 2010 e, desde então, conduziu a endividada economia do país em momentos difíceis, mantendo a moeda nacional firmemente atrelada ao dólar e rejeitando a pressão do Fundo Monetário Internacional para elevar o preço do gás no país.

Um fiel colaborador de Yanukovych, o premiê apoiou em novembro a decisão de abandonar o acordo de livre comércio com a UE para aproximar-se ainda mais da Rússia.

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A oposição também quer anistia para várias pessoas presas durante os protestos. Mas Yanukovych disse na segunda-feira que tal anistia é possível apenas se os manifestantes concordarem em limpar as ruas e sair dos prédios ocupados. Essa condição seria inaceitável para grande parte dos manifestantes. O Parlamento votará mais tarde nesta terça-feira uma medida de anistia para os manifestantes.

*Com AP e Reuters

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