Oposição exige que líder dissolva governo, convoque eleições e revogue lei antiprotesto até a noite desta quinta

As tensões na Ucrânia se espalharam para além da capital nesta quinta-feira, enquanto centenas de pessoas na cidade de Lviv invadiram a sede do governo regional e forçaram o governador a escrever uma carta de renúncia.

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Manifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1)
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Manifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1)

Dois mortos: Polícia ucraniana destrói barricadas e afasta manifestantes

Enquanto isso na capital Kiev, que tem sido o epicentro de dois meses de protestos contra o presidente Viktor Yanukovych, manifestantes extinguiram barricadas em chamas para evitar uma ação policial, implementando uma paz tênue enquanto um ultimato imposto pela oposição ao presidente está perto de chegar ao fim sem sinais de um acordo.

Lviv é uma das principais cidades no oeste da Ucrânia, onde o apoio a Yanukovych é pequeno. Seu governador, Oleh Salo, que foi nomeado pelo presidente, insistiu mais tarde que agiu sob coação e que rescindia sua renúncia.

Nesta quinta, Yanukovych convocou uma sessão especial do Parlamento para a próxima semana para discutir as tensões que aumentaram depois da morte de dois manifestantes na quarta-feira.

A frágil trégua em Kiev surgiu depois que três dos principais líderes da oposição conclamaram os manifestantes no fim da noite de quarta-feira a evitar atos de violência por 24 horas até que expire o ultimato imposto ao presidente. Eles exigiram que ele dissolva o governo, convoque eleições antecipadas e derrube uma dura lei antiprotesto que desatou violência em uma manifestação no domingo .

O líder da oposição Vitali Klitschko caminhou atrás de uma fumaça negra que engolia boa parte do centro de Kiev nesta quinta-feira, apelando para que a polícia e os manifestantes mantivessem a paz até que o ultimato expirasse na noite desta quinta. A seu pedido, os manifestantes apagaram o fogo dos pneus.

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Os protestos amplamente pacíficos contra a decisão de Yanukovych de esnobar a União Europeia (UE) e se aproximar de Moscou em novembro acabaram se tornando violentos no sábado, quando os manifestantes, irritados com a aprovação na semana passada de leis repressivas para pôr fim às manifestações, marcharam em direção a prédios do governo. Durante dias, os manifestantes jogaram bombas incendiárias e pedras contra a polícia, que respondeu com granadas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha.

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Na quarta-feira, a tropa de choque espancou e disparou contra manifestantes, voluntários e jornalistas, tendo como resultado duas mortes - as primeiras desde o início da mobilização popular. Segundo a oposição, mais de cinco morreram.

Nesta quinta, o ministro do Interior afirmou que 73 pessoas foram detidas, das quais 52 são investigadas por "distúrbios em massa" - uma acusação penal recentemente criada que pode levar a uma sentença de até oito anos. Alegações de que ativistas foram sequestrados e torturados se espalham pelo país.

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Os EUA reagiram anunciando que revogavam os vistos de algumas autoridades ucranianas relacionadas com a violência e que considerava ações adicionais. A embaixada não deu o nome das autoridades citando leis de privacidade. O chanceler russo, Serguei Lavrov, acusou o Ocidente de instigar os protestos e alguns políticos da UE de se unir a eles.

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Os protestos em massa em Kiev surgiram depois que o presidente esnobou um pacto com a UE em favor de laços mais próximos com a Rússia, que lhe ofereceu um pacote de resgate de US$ 15 bilhões .

*Com AP

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