Ação é lançada após morte manifestantes. Promotores abrem investigação após confirmar uso de munição real

A polícia ucraniana destruiu nesta quarta-feira barricadas de protesto e expulsou manifestantes de um local de violentos confrontos na capital Kiev horas depois de duas pessoas morrerem a tiros na capital Kiev, as primeiras mortes violentas em uma mobilização popular que provavelmente aumentarão a crise política que atinge a Ucrânia desde o final de novembro.

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Manifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia
AP
Manifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia

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Promotores afirmaram que os dois foram mortos com munição real e abriram uma investigação penal para determinar quem é o responsável. Previamente à declaração dos promotores, Oleh Musiy, coordenador da corporação médica dos manifestantes, disse à Associated Press que as feridas das duas vítimas pareciam ter sido causadas por munição real.

O primeiro-ministro Mykola Azarov afirmou que os líderes da oposição deveriam ser considerados responsáveis pelas mortes e disse que a polícia no local dos confrontos não usou munição real.

Médicos no local disseram que um terceiro homem morreu depois de cair de uma estrutura alta perto de um estádio no local dos confrontos, mas Natalia Vishnevska, uma porta-voz para o departamento de saúde da cidade, disse que ele sobreviveu à queda e está sendo tratado no hospital.

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A tropa de choque lançou-se contra centenas de manifestantes na tarde desta quarta, batendo e efetuando disparos contra alguns e forçando outros a correr.

A polícia conduziu os manifestantes a descer uma colina em direção ao principal ponto de protesto na Praça da Independência, onde os opositores do governo estabeleceram um amplo acampamento de tendas que funciona 24 horas por dia. Não há informações se a polícia investiu contra o principal acampamento.

A embaixada dos EUA anunciou que revogava os vistos de algumas autoridades ucranianas relacionadas com a violência e considerava ações adicionais. A embaixada não deu o nome das autoridades citando leis de privacidade.

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Os protestos em massa em Kiev surgiram depois que o presidente Viktor Yanukovych esnobou um pacto com a União Europeia (UE) em favor de laços mais próximos com a Rússia, que lhe ofereceu um pacote de resgate de US$ 15 bilhões .

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Ao ver o governo ignorando suas demandas e com os líderes da oposição incapazes de apresentar um plano coerente ou até mesmo selecionar um único líder, manifestantes radicais entraram em confronto com a tropa de choque em Kiev desde domingo , arremessando pedras e coquetéis molotov contra a polícia, que em troca lançou gás lacrimogêneo e balas de borracha. Embora centenas tenham ficado feridos em dias recentes, as primeiras mortes provavelmente escalarão a crise ainda mais.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, acusou o Ocidente de instigar os protestos e alguns políticos da UE de se unir a eles.

Os três principais partidos de oposição emitiram uma declaração acusando Yanukovych e seu fiel ministro do Interior, Vitali Zakharchenko, pelas mortes. "O ministro do Interior, o assassino sanguinário Zakharchenko, tem responsabilidade pessoal por esse ator de terror da ditadura contra os cidadãos", disseram os partidos em uma nota.

A investida policial contra as barricadas aconteceu no mesmo dia em que a atenção internacional estava voltada para a Suíça, onde negociações de paz para pôr fim ao conflito sírio começaram nesta quarta-feira .

*Com AP

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