Elite da China tem empresas secretas em paraísos fiscais, diz relatório

Por iG São Paulo |

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Parentes do presidente e de outros líderes têm empresas offshore que 'blindaram a riqueza da elite comunista'

Parentes do presidente e de outros líderes políticos e empresários da China estão vinculados a paraísos fiscais que ajudaram a "blindar a riqueza da elite comunista", informou nesta quarta-feira um grupo de jornalismo com base nos EUA.

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Xi Jinping em foto de 2012: relatório projeta atenção para a família do presidente e sua riqueza enquanto líder tornou a corrupção um tema de sua liderança

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O relatório do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) deve dirigir uma atenção politicamente estranha para a família do presidente Xi Jinping e de sua riqueza em um momento em que o líder tornou a corrupção um tema de sua liderança.

Reclamações de que parentes de líderes chineses abusam de suas posições para lucrar com negócios imobiliários e outros acordos são disseminadas. Mas detalhes sobre suas atividades, especialmente sobre aqueles na alta hierarquia do partido, são frequentemente escondidos.

O ICIJ, que tem como base Washington, disse ter obtido documentos mostrando as identidades de quase 22 mil proprietários de companhias offshores nas britânicas Ilhas Virgens, Samoa e outros locais. O grupo diz que eles incluem a cunhado de Xi, o filho e o genro do ex-premiê Wen Jiabao e parentes de outras autoridades do partido.

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O cunhado de Xi, Deng Jiagui, um rico empreendedor, detém 50% da companhia nas Ilhas Virgens britânicas, a Excellence Effort Property Development, de acordo com o ICIJ. A outra metade é de outros dois empresários chineses. A lista também inclui parentes do ex-presidente Hu Jintao e do falecido líder supremo Deng Xiaoping.

"Parentes próximos dos mais importantes líderes chineses mantêm companhias secretas em paraísos fiscais que ajudaram a blindar a riqueza da elite comunista", afirma o grupo.

As autoridades chinesas rapidamente agiram para impedir que o público do país visse o relatório desta quarta. O acesso ao site do ICIJ foi bloqueado, assim como matérias estrangeiras sobre ele. Um repórter divulgou um link para o relatório no popular serviço de microblog Sina Weibo, mas recebeu uma mensagem da companhia dizendo que outros usuários foram impedidos de vê-lo.

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"Do ponto de vista de um leitor, a lógica no artigo é dificilmente convincente", disse Qin Gang, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, quando requisitado a comentar as informações durante uma coletiva. "Isso certamente levanta suspeitas sobre os motivos por trás disso."

Tais entidades offshore são legais e frequentemente são usadas por companhias chinesas para controlar subsidiárias estrangeiras, mas ativistas acreditam que autoridades corruptas também podem usá-las para esconder dinheiro. Governos de tais centros financeiros offshore ficaram sob pressão de outros países para fazer mais para evitar a evasão fiscal, a lavagem de dinheiro e outros crimes.

Seu uso de parentes de autoridades chinesas dão uma forte impressão de privilégio e impunidade, disse o historiador e analista político chinês Zhang Lifan. "É injusto e levará a discussões sobre se a campanha anticorrupção é real ou apenas um instrumento em uma luta política de poder", afirmou.

Especulação sobre novos alvos potenciais para a repressão se itensificaram depois que um jornal de Hong Kong publicou uma carta de Wen, o ex-premiê, na qual disse que nunca abusou de sua posição para o ganho pessoal, disse Zhang.

Uma grande quantia de riqueza sendo transferida sugere que qualquer repressão anticorrupção deve enfrentar dificuldades, disse Ho-Fung Hung, um especialista chinês na Universidade Johns Hopkins, nos EUA.

"Qualquer um que tente realmente alcançar o centro do problema pode enfrentar uma reação coletiva da elite, prejudicando seu próprio poder, então eu espero que o impulso anticorrupção não vá por enquanto além de questões como banquetes e viagens", disse Hung.

As revelações levantam a possibilidade de que os bancos envolvidos podem ter esperado benefícios no mercado chinês em troca de ajudar a transferir os bens para o exterior, afirmou.

"A maioria dos líderes chineses e dos membros do Partido Comunista planejou sua fuga há décadas", disse um comentário deixado por um leitor no site do jornal de Hong Kong South China Morning Post. "Tudo se resume a explorar os recursos e a população na China para que os poucos privilegiados se beneficiem."

O ICIJ não deu detalhes financeiros e fez a ressalva de que não sugeria que ninguém "quebrou a lei ou agiu de forma não apropriada". O grupo disse que divulgaria uma lista completa com os nomes na quinta.

Os líderes comunistas são intensamente sensíveis a sugestões de que lucraram com o crescimento econômico da China. O partido governista insiste que o escrutínio público de suas questões financeiras não é permitido.

Reclamações sobre o estilo de vida esbanjador de funcionários, figuras do partido e militares que dirigem carros de luxo, têm casas de verão e enviam seus filhos para universidades de elite no exterior abasteceram tensões políticas.

A polícia deteve ativistas que reivindicaram que os líderes do partido revelassem sua riqueza para o cerimonial Parlamento chinês.

Em 2012, a Bloomberg News e o New York Times divulgaram informações sobre a riqueza acumulada por parentes de Xi e Wen. O governo bloqueou acesso aos sites de ambas as organizações.

*Com AP

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