EUA defendem saída de líder sírio, mas chanceler diz que somente população tem direito de tirar Assad do poder

As negociações de paz na Síria começaram nesta quarta-feira na Suíça com uma disputa amarga sobre o futuro do presidente Bashar al-Assad .

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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry (E), conversa com secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, antes de conferência de paz da Síria em Montreux, Suíça
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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry (E), conversa com secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, antes de conferência de paz da Síria em Montreux, Suíça

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O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que a decisão de Assad de responder a uma dissidência pacífica com força brutal lhe usurpou toda a legitimidade, enquanto o chanceler de Assad declarou que ninguém de fora da Síria tem o direito de remover o governo. A oposição síria disse que a principal questão da conferência era criar um governo de transição sem Assad.

Menos de três horas em negociações de paz que estiveram á beira do colapso desde que foram inicialmente planejadas, os dois lados pareciam estar sem possibilidade de conciliação.

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"Realmente precisamos lidar com a realidade", disse Kerry. "Não há nenhuma forma - nenhuma forma possível na imaginação - de que o homem que liderou essa resposta brutal contra sua própria população possa reconquistar a legitimidade para governar. Nenhum homem nem aqueles que o apoiaram podem manter como reféns por mais tempo uma nação inteira e uma região."

"O direito de liderar um país não vem da tortura nem de bombas ou mísseis Scud. Vem do consentimento da população", acrescentou Kerry.

A Kerry se seguiu o chanceler sírio, Walid al-Moallem, que se recusou a desistir de fazer seu pronunciamento apesar de pedidos repetidos do secretário-geral da ONU. "Você vive em Nova York. Eu vivo na Síria", disse com raiva a Ban Ki-moon. "Tenho o direito de dar a versão síria aqui neste fórum. Depois de três anos de sofrimento, esse é meu direito."

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Al-Moallem disse que ninguém pode derrubar Assad, exceto os sírios. Ele também acusou o Ocidente e países vizinhos - notavelmente a Arábia Saudita , que ele não nomeou - de encaminhar dinheiro, armas e combatentes estrangeiros para a rebelião.

"O Ocidente publicamente alega combater o terrorismo enquanto o alimentam secretamente", disse. "Os sírios aqui presentes participaram em tudo o que aconteceu, eles implementaram, facilitaram o banho de sangue e tudo às custas da população síria que alegam representar", disse em referência à oposição síria presente à conferência.

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O confronto deixou mais de 100 mil mortos - e ativistas estimam mais dezenas de milhares - desde que começou em março de 2011 como um movimento pacífico contra o governo de Assad. A guerra forçou milhões de sírios a fugir de suas casas.

A questão sobre o futuro de Assad vai ao centro da conferência de paz com o objetivo declarado de um governo de transição na Síria. Notavelmente ausente é o Irã que, juntamente com a Rússia , é o mais convicto aliado de Assad.

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Ban convidou e então desconvidou o Irã no último minuto depois que a oposição síria ameaçou não participar das negociações de paz menos de 48 horas antes de seu início.

Amhad al-Jarba, o líder da Coalizão Nacional Síria, que tem apoio do Ocidente, disse nesta quarta-feira que qualquer discussão sobre a continuidade de Assad no poder efetivamente poria um fim à negociação mesmo antes de seu início. Al-Jarba afirmou que um governo de transição "é o único tópico para nós".

*Com AP

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