Pressão para governo combater a criminalidade aumentou após assassinato de ex-Miss Venezuela no início deste mês

O presidente Nicolás Maduro tem um novo vilão enquanto faz campanha para diminuir a crescente onda de crimes da Venezuela: as novelas. Ele as acusou de espalhar "antivalores" para os jovens ao glamorizar a violência, as armas e as drogas. A crítica se segue aos ataques feitos no ano passado por Maduro contra os videogames e o filme de Hollywood "Spider-man."

Conheça a home do Último Segundo

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, faz discurso sobre o estado da união perto de retrato de Hugo Chávez na Assembleia Nacional, Caracas (15/1)
AP
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, faz discurso sobre o estado da união perto de retrato de Hugo Chávez na Assembleia Nacional, Caracas (15/1)

Dia 6:  Ex-miss e marido são mortos durante assalto na Venezuela

A pressão para o governo atuar contra a criminalidade aumentou neste mês depois que a ex-Miss Venezuela Mónica Spear e seu marido foram mortos a tiros por assaltantes , com sua filha de 5 anos como testemunha.

O assassinato duplo chocou até mesmo venezuelanos endurecidos pelo crescente banho de sangue e pôs o governo na defensiva em uma questão que, segundo as pesquisas, é a principal preocupação entre os eleitores.

Reação: Maduro promete 'mão de ferro' contra assassinos de ex-miss

Na noite de segunda-feira, seu vice-presidente, Jorge Arreaza, reuniu-se com operadores de sinal aberto e a cabo para revisar o horário nobre, alertando que eles poderiam estar em violação de uma lei de 2004 que demanda uma programação "socialmente responsável". Os dois lados se reunirão em uma semana com o objetivo de esbolar um acordo para estabelecer tais obrigações.

Não está claro se o governo adotará passos para restringir a programação ou imporá regras mais duras sobre as novelas, que são extremamente populares em toda a América Latina.

Assassinada em assalto:  Centenas comparecem a enterro de ex-miss

Analistas disseram que distorções provavelmente não reduzirão o alto nível de homicídio da Venezuela, que a ONU posiciona como o quinto pior no mundo, e alertaram que a campanha de Maduro poderia ser usada como uma desculpa para reprimir ainda mais as críticas da mídia ao governo.

"É uma cortina de fumaça para desviar a atenção das causas reais" da violência e do crime, disse Roberto Briceño-León, da ONG Observatório Venezuelano da Violência (OVV), que estima que o índice de assassinato do país quadruplicou nos 15 anos de governo socialista.

Veja fotos da ex-miss Mónica Spear:

Após assassinato de ex-miss:  Venezuela desperta para violência epidêmica

Segundo a OVV, mais de 24 mil foram assassinados em 2013, colocando a taxa de homicídios em 79 a cada 100 mil habitantes. O governo contesta esse dado, dizendo que o nível de mortos é de 39 a cada 100 mil habitantes — um nível que ainda é o mais alto da América do Sul e oito vezes o dos EUA.

Em seu discurso sobre o estado da união na semana passada, Maduro mirou contra uma novela popular, "De todas maneras Rosa," produzida pela Venevisión.

Ele acusou a maior emissora do país de lucrar com a violência ao celebrar os crimes de Andreina Vallejo, uma das principais personagens da trama que é uma ex-miss psicopata que envenena sua própria mãe para esconder a paternidade de seu filho.

Alberto Barrera Tyszka, o criador de várias novelas, disse que a televisão apenas reflete os níveis alarmantes de violência presentes na sociedade e já está rigidamente regulada para conteúdo considerado não apropriado para menores. Ele disse que Maduro deveria focar sua atenção nas raízes que vêm causando o crime.

*Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.