Acusada de mentir sobre quanto pagava à sua empregada, Devyani Khobragade partiu com imunidade diplomática

A ex-vice-cônsul da Índia em Nova York Devyani Khobragade, que acusa a polícia de maus-tratos durante prisão por suposta fraude em pedido de visto
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A ex-vice-cônsul da Índia em Nova York Devyani Khobragade, que acusa a polícia de maus-tratos durante prisão por suposta fraude em pedido de visto

Uma diplomata indiana acusada de mentir sobre quanto pagava à sua empregada doméstica deixou os EUA na quinta-feira à noite, depois de ter sido indiciada com duas acusações criminais e de as autoridades indianas terem rejeitado retirar sua imunidade, disseram autoridades.

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A ex-vice-cônsul Devyani Khobragade, que foi forçada a tirar suas roupas durante a revista policial , saiu dos EUA depois de ter sido indiciada por um grande júri por fraude no visto e por declarações falsas em um caso que causou uma indignação na Índia, disse um funcionário americano. Ela é acusada de ter obtido de forma fraudulenta um visto de trabalho para sua empregada em Nova York.

De acordo com informações da mídia local indiana, Washington foi requisitado a retirar uma diplomata de "nível hierárquico similar" ao de Khobragade de sua missão em Nova Délhi. O governo americano ainda não fez comentários sobre a informação.

Em semanas recentes, autoridades federais diziam que a imunidade de Khobragade era limitada aos atos desempenhados no exercício de suas funções consulares. Mas, na quinta-feira, um funcionário do governo em Washington afirmou sob condição de anonimato que os EUA aceitaram o pedido da Índia de que ela fique credenciada na ONU, que confere uma imunidade mais ampla. Como ela não representa um risco para a segurança nacional, seria quase um caso sem precedentes se os EUA negassem um pedido desse tipo.

Depois, os EUA pediram que o governo da Índia retirasse sua imunidade diplomática para que ela fosse processada, mas os indianos se recusaram, então os EUA "pediram sua saída" do país, acrescentou o funcionário.

Promotores federais afirmam que, no pedido de visto que permitiu que sua empregada mudasse da Índia para os EUA, Khobragade prometeu que lhe pagaria ao menos o salário mínimo em Nova York e não permitiria que ela trabalhasse mais de 40 horas por semana.

Segundo eles, porém, Khobragade fez sua empregada, Sangeeta Richard, assinar um segundo contrato, que pagou bem menos do que o salário mínimo e requeria que ela trabalhasse mais horas.

A prisão da diplomata no mês passado causou indignação na Índia depois de revelações de que ela foi forçada a tirar suas roupas na revista policial e colocada em uma cela com outros réus antes de ser solta sob uma fiança de US$ 250 mil.

Em suas primeiras declarações públicas na quinta-feira, a empregada afirmou que decidiu ir aos EUA para trabalhar por poucos anos para ajudar sua família e então retornar á Índia.

"Nunca pensei que as coisas seriam tão ruins aqui, que trabalharia tanto que não teria tempo para dormir, comer ou para mim mesma", disse em uma declaração emitida pelo grupo antitráfico de pessoas Safe Horizon.

Ela tentou retornar à Índia por causa de como vinha sendo tratada, afirmou, mas seu pedido foi negado. "Gostaria de dizer a outros empregados domésticos que sofrem como sofri - vocês têm direitos e não deixe ninguém explorá-los."

Khobragade afirma ser inocente.

*Com AP

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