Britânica sobrevive à 'escuridão gelada' após cair de balsa no Mar do Norte

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Jeni viajava com amigos quando caiu de uma altura de 18 metros e passou 35 minutos lutando para não se afogar

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Em setembro de 2011, a britânica Jeni Anderson estava a bordo de uma balsa que viajava de Newcastle, no norte da Inglaterra, para Amsterdã, Holanda, quando caiu no Mar do Norte e passou 35 minutos gritando e implorando por ajuda até ser resgatada da escuridão gelada.

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Jeni Anderson estava com amigos quando caiu 18 metros no Mar do Norte

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Anderson celebrava com mais três amigos o fim da faculdade na ocasião do incidente.

Em entrevista ao programa Inside Out da BBC, Anderson relembra como foi a sensação de cair no escuro gelado do Mar do Norte e como diversas vezes o pensamento de que morreria passou pela sua cabeça.

"Estávamos do lado de fora, no convés, conversando. Eu tinha bebido, mas definitivamente não estava bêbada. Se eu estivesse, não estaria aqui hoje", conta Anderson. "Só lembro de estar olhando o mar, não sei se me inclinei demais, ou se a balsa fez um movimento brusco, ou houve uma rajada de vento."

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Anderson caiu de uma altura de 18 metros no mar.

Lembranças

Ela não lembra detalhes do resgate, mas recorda dos pensamentos e emoções que sentiu enquanto via a balsa se afastar.

"A balsa já estava muito longe e continuava se movendo. Não passou pela minha cabeça a possibilidade de alguém me encontrar. Senti que era minha responsabilidade conseguir voltar", lembra Anderson.

Anderson conta que tentou nadar em direção à embarcação, mas que o mar estava muito movimentado e que a sensação era mais de estar se afogando do que nadando.

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"As ondas eram enormes. Naquele momento eu era um pequeno ponto na escuridão... sozinha."

"Eu sentia o vento, porque meu corpo estava dentro d'água, mas minha cabeça estava fora. Eu sentia o vento frio no meu rosto."

"Eu passei a maior parte do tempo sendo jogada para debaixo d'água e tentando não me afogar. Depois de um tempo, eu genuinamente pensei: é isso, eu vou morrer, não existe saída daqui."

Anderson lembra que a pior parte foi o fato de estar sozinha.

"Os meus amigos sabiam que eu tinha caído, mas minha mãe não sabia onde eu estava, minha família não sabia onde eu estava. Ninguém realmente importante para mim estava comigo naquele momento. Eu estava sozinha."

"Eu estava apavorada e pensava o que poderia fazer para não me afogar. E uma vez que eu entendi que essa era uma grande possibilidade, eu pensava 'o que posso fazer para que isso aconteça da melhor maneira possível'."

"Parece ridículo, por que como você torna essa situação melhor?"

"E quando a balsa atingiu um ponto que eu sabia que nunca conseguiria alcançar, pensei: será que escolho uma direção e nado? Tento nadar para não me sentir sozinha, me afogando?"

"Sei que tive muita sorte. No momento que fui encontrada, estava passando mais tempo debaixo d'água do que fora..."

Recentemente Anderson voltou ao navio e se reuniu com o capitão e a equipe que ajudaram a salvá-la.

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