Soldados iraquianos prendem legislador sunita em meio a tiroteio com seis mortos

Por iG São Paulo |

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Prisão de Ahmed al-Alwani sob acusações de terrorismo provavelmente aumentará as tensões sectárias no país

Soldados iraquianos prenderam neste sábado um legislador sunita procurado sob acusações de terrorismo e mataram seu irmãos e cinco de seus guardas depois que eles abriram fogo contra os oficiais encarregados da prisão, um incidente que provavelmente aumentará as tensões sectárias do país.

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Legislador sunita Ahmed al-Alwani dá entrevista em Ramadi em 18 de fevereiro

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O legislador preso, Ahmed al-Alwani, foi uma figura importante entre os organizadores de protestos sunitas contra o governo de liderança xiita durante o ano passado. Ele é procurado sob acusações de terrorismo por ter incitado violência contra os xiitas que chegaram ao poder depois da invasão liderada pelos EUA em 2003, que pôr fim ao regime de liderança sunita de Saddam Hussein.

Enquanto as forças militares e de segurança chegavam à sua casa no amanhecer deste sábado na cidade de Ramadi, no oeste do país, os guardas de Al-Awlani e líderes tribais abriram fogo, desatando uma troca de tiros que durou quase uma hora, disse um policial.

Juntamente com o irmão de Al-Awlani e seus cinco guardas que foram mortos, 12 guardas e quatro soldados ficaram feridos. Outros seis guardas foram presos. Uma fonte médica confirmou o número de baixas.

Desde dezembro do ano passado, a minoria sunita do Iraque tem realizado protestos alegando receber um tratamento de segunda classe da maioria xiita. Os protestos têm em sua maioria se centrado nos arredores da Província de Anbar, no oeste do Iraque, e de outras áreas sunitas no norte. Os sunitas também reivindicam o fim de algumas leis que, dizem, está injustamente os tendo como alvo.

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A prisão de Al-Awlani aconteceu um ano depois de vários guardas do ministro das Finanças Rafia al-Issawi, um sunita, terem sido presos em uma ação antiterrorismo e dois anos depois de as autoridades terem emitido um mandado de prisão contra o vice-presidente sunita Tariq al-Hashemi, também por terrorismo.

Al-Hashemi, que agora vive no exílio na vizinha Turquia, foi sentenciado a várias penas de mortes depois de cortes iraquianas o terem declarado culpado à revelia em vários casos relacionados a terrorismo. Ele rejeitou as acusações como politicamente motivadas.

Os protestos sunitas de um ano de duração aconteceram paralelamente a uma onda ascendente de ataques insurgentes em todo o país, e o governo e algumas autoridades pró-governo e anciões tribais em Anbar acusaram os organizadores dos protestos de abrigar membros da Al-Qaeda local que seriam responsáveis pelos atentados.

*Com AP

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