Escândalo derruba terceiro ministro na Turquia, que pede renúncia de premiê

Por iG São Paulo |

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Escândalo de corrupção é a pior crise política enfrentada por primeiro-ministro Erdogan em mais de dez anos

O ministro do Meio Ambiente e do Planejamento Urbano da Turquia, Erdogan Bayraktar, anunciou nesta quarta-feira sua renúncia após os ministros da Economia, Zafer Caglayan, e do Interior, Muammer Guler, também terem anunciado que deixavam seus cargos em meio à pior crise política do país em mais de dez anos. Os três, porém, negaram qualquer irregularidade.

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Reuters
Ministros do Interior, Muammer Guler, (2º à E), e da Economia, Zafer Caglayan (2º à D), conversam tendo ao lado direito o ministro do Meio Ambiente, Erdogan Bayraktar

Hoje: Escândalo de corrupção envolvendo filhos derruba ministros

As renúncias foram anunciadas dias depois dos filhos dos ministros terem sido presos por causa de um escândalo de corrupção e suborno envolvendo aliados do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.

Ao anunciar sua renúncia em um entrevista ao vivo à televisão privada NTV, Bayraktar conclamou Erdogan a renunciar. 

Os filhos de Caglayan e Guler, juntamente com o CEO do banco estatal Halkbank, estão entre 24 pessoas que foram presas sob acusação de suborno. O filho de Bayraktar foi detido como parte da investigação, mas posteriormente solto.

Corrupção: Turquia afasta outros 25 chefes da polícia diante de investigação

Segundo informações da imprensa, a polícia apreendeu US$ 4,5 milhões em dinheiro vivo dentro de caixas de sapatos na casa do CEO do banco, Suleyman Aslan, enquanto mais de US$ 1 milhão teria sido descoberto na casa do filho de Guler.

Os filhos dos ministros – Kaan Caglayan e Baris Guler – negam as acusações de pagamento de propina em troca de favores, como preferência para executar projetos de desenvolvimento e receber licenças de construção. A operação já levou à suspensão de diversos policiais, incluindo o diretor da polícia de Istambul.

Erdogan caracterizou a investigação de corrupção como uma conspiração das forças estrangeiras e turcas para coibir o crescimento da prosperidade de seu país e desacreditar seu governo antes das eleições locais de março. Críticos acusam Erdogan de se tornar cada vez mais autoritário, mas seu governo conquistou três eleições sucessivas desde 2002 na esteira da economia relativamente robusta, uma imagem de transparência e a promessa de combater a corrupção.

A investigação é um dos maiores desafios políticos enfrentados por Erdogan desde que seu partido de raízes islâmicas, AK, escapou por pouco de ser fechado em 2008 supostamente por prejudicar a Constituição secular turca. Neste ano, o governo também resistiu a uma onda de protestos antigoverno desatada por um projeto de desenvolvimento que teria engolido um parque de Istambul.

O debate sobre as investigações de corrupção na Turquia tem um forte tom político. Desde que chegou ao poder, em 2002, o premiê Erdogan enfrenta disputas internas dentro de seu partido.

O Halkbank, um dos maiores bancos da Turquia, já foi criticado no passado pelos Estados Unidos por permitir que o gás natural iraniano – alvo de um embargo de potências internacionais – fosse negociado em troca de ouro turco. Desde junho, essas negociações foram interrompidas.

*Com AP e BBC

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