Sudão do Sul encontra vala comum enquanto aumenta violência étnica

Por iG São Paulo |

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Segundo ONU, 34 corpos foram encontrados em cidade que está sob controle de rebeldes alinhados a ex-vice

Em meio à erupção de violência ao longo de linhas étnicas no Sudão do Sul, investigadores da ONU descobriram uma vala comum em uma cidade controlada por rebeldes, disse nesta terça-feira o Alto Comissariado da ONU.

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Mulher desalojada por recente conflito no Sudão do Sul fuma cachimbo em acampamento improvisado da ONU em Jabel, perto da capital Juba (23/12)

ONU pede reforços: Sudão do Sul tem 'matança étnica'

Os corpos foram encontrados em Bentiu: uma vala com 14 corpos e um local vizinho com outros 20, disse a porta-voz Ravina Shamdasani.

Shamdasani disse à BBC que os corpos foram encontrados na cidade de Bentiu, que foi tomada dias atrás por rebeldes leais ao ex-vice presidente Rieck Machar, que lutam para tomar o poder no Sudão do Sul.

Shamdasani disse que ainda não está claro como as pessoas encontradas na vala comum morreram.

Uma jornalista da capital, Juma, disse à BBC ter ouvido testeminhas que aformaram que cerca de 200 pessoas, a maioria da etnia nuer (a mesma de Machar), já morreram baleadas por tropas do governo na cidade.

O Ministro do Exterior, Barnaba Benjamin, admitiu que algumas das mortes podem ter acontecido, mas não tantas quanto têm sido noticiadas.

Conflito étnico

A escalada de violência no Sudão do Sul nos últimos dias despertou preocupações na comunidade internacional de que o país possa estar rumando para um conflito étnico.

Outra testemunha na capital disse que atiradores do grupo étnico dinka dispararam contra a população em áreas habitadas pelos nuer, o grupo majoritário no país e o mesmo do presidente Salva Kiir.

Os testemunhos – relatados para a BBC pela repórter Hannah McNeish – foram corroborados por outras pessoas que sobreviveram aos incidentes e estão refugiadas.

A violência se intensificou desde que começou uma disputa política entre Kiir e Machar – que foi demitido e está foragido.

As lideranças políticas negam estar por trás da violência. Mas, apesar disso, grupos rebeldes ligados a Machar assumiram o controle de diversas cidades ao longo da última semana. Dezenas de milhares deixaram suas casas.

Reuters
Desalojado segura seu filho dentro da Missão da ONU no Sudão em Juba (19/12)

Tropas da ONU

A escalada no número de mortos levou a ONU a estudar medidas. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu que o Conselho de Segurança envie mais 5 mil soldados ao Sudão do Sul – que se somariam ao contingente de 7 mil já presentes no país desde segunda-feira.

O secretário-geral prometeu investigar todas as denúncias de crimes contra humanidade. Na semana passada, dois soldados indianos da ONU foram mortos em um ataque a uma base da entidade.

Até agora, há oficialmente 500 mortos, mas agências humanitárias acreditam que o número pode ser muito maior. Outras 81 mil pessoas estão refugiadas – metade delas em acampamentos da ONU.

O presidente Kiir disse que a porta está aberta para uma negociação com Machar, desde que nenhuma condição seja imposta pelo político para iniciar o diálogo. No entanto, o ex-vice-presidente exige a libertação de aliados políticos para começar a negociação.

O Sudão do Sul se tornou independente do Sudão em 2011, após 22 anos de guerra civil.

*Com AP e BBC

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