Rússia liberta duas integrantes da banda Pussy Riot após anistia

Por iG São Paulo |

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Após soltura, ambas descrevem medida como esforço de relações públicas de Putin antes de Olimpíadas de Sochi

Duas integrantes da banda de punk russa Pussy Riot foram libertadas nesta segunda-feira depois de uma lei da anistia que ambas descreveram como uma medida de relações públicas do Kremlin antes das Olimpíadas de Inverno de Sochi, em fevereiro.

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Nadezhda Tolokonnikova, da banda Pussy Riot, fala com repórteres após deixar prisão em Krasnoyarsk, Rússia

Dia 18: Rússia aprova anistia que deve beneficiar ativista brasileira

Maria Alekhina e Nadezhda Tolokonnikova receberam a anistia na semana passada, que foi amplamente vista como uma tentativa do Kremlin de atenuar as críticas sobre seu histórico de direitos humanos antes do Jogos. A anistia também deve beneficiar 30 ativistas do Greenpeace que enfrentam um processo por terem protesto em setembro em uma plataforma de petróleo. Entre os ativistas está a brasileira Ana Paula Maciel.

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A terceira integrante, Yekaterina Samutsevich, foi solta sob uma suspensão de pena meses depois de todas terem sido consideradas culpadas de vandalismo motivado por ódio religioso e sentenciadas a dois anos por uma apresentação na principal catedral de Moscou em março de 2012.

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As integrantes insistiram que seu protesto tinha o objetivo de expor suas preocupações sobre os vínculos cada vez mais próximos entre o Estado e a igreja.

Alekhina foi solta da colônia prisional nos arredores da cidade de Nizhny Novgorod, perto do Rio Volga, na manhã desta segunda-feira, disse Irina Khrunova, sua advogada.

Horas depois, Tolokonnikova saiu da prisão na cidade siberiana de Krasnoyarsk e foi recebida por dezenas de jornalistas que a esperavam do lado de fora em um frio congelante. Tolokonnikova disse aos repórteres que ela e Alekhina formarão um grupo para se negajar no movimento de direitos humanos. Ela criticou a anistia como uma medida cosmética do Kremlin antes dos Jogos de Sochi.

O Parlamento russo aprovou a lei da anistia na semana passada, permitindo a libertação de milhares de presos. Alekhina e Tolokonnikova se qualificam para a anistia por terem filhos pequenos.

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Maria Alekhina, da banda Pussy Riot, fala com imprensa na Comissão contra a Tortura depois de ser solta em Nizhny Novgorod, Rússia

Khodorkovsky: Presidente russo concede indulto a ex-magnata do petróleo

A libertação de Alekhina acontece dias depois de o presidente Vladimir Putin ter concedido indulto a Mikhail Khodorkovsky, um ex-magnata do petróleo e antes o homem mais rico da Rússia, que passou uma década na prisão depois de desafiar o poder de Putin. Khodorkovsky viajou para a Alemanha depois de sua libertação e disse que se manterá longe da política. Ele prometeu, entretanto, lutar pela soltura de prisioneiros políticos na Rússia.

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Alekhina disse ao canal de TV Dozhd que preferiria ficar atrás das grades se tivesse chance de escolha. "Isso não é uma anistia. É uma medida de relações públicas."

Segundo ela, a anistia cobre menos de 10% da população prisional e apenas uma fração das mulheres que têm filhos. Mulheres condenadas por crimes graves, mesmo que tenham filhos, não são elegíveis para a anistia.

No início deste mês, a Suprema Corte da Rússia ordenou uma revisão do caso do Pussy Riot, dizendo que uma corte de menor instância não provou que elas eram culpadas e não levou em conta suas questões familiares quando alcançou o veredicto.

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