Relatório levanta tese de suicídio do piloto como causa de acidente na Namíbia

Por Agência Brasil |

compartilhe

Tamanho do texto

Representantes de empresa aérea reagem dizendo ter ficado chocados com ideia; queda de avião matou 33

Agência Brasil

Divulgação
Um modelo Embraer 190 semelhante ao equipamento acidentado na Namíbia

Representantes da empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) disseram nesta segunda-feira (23) ter ficado chocados e profundamente preocupados com a tese de suicídio do comandante do voo TM-470, que provocou 33 mortes, apontada no relatório sobre a queda do avião. Entre as vítimas está o brasileiro Sérgio Miguel Pereira Soveral.

Namíbia: Brasileiro morre em acidente de avião que matou outros 32 na África

"A LAM manifesta profunda preocupação e choque quanto ao conteúdo da declaração divulgada pelas autoridades de investigação em relação ao inquérito em curso, alusivo à perda do voo TM-470, em 29 de novembro", diz um comunicado da companhia moçambicana enviado nesta segunda-feira (23) à Agência Lusa.

Conheça a home do Último Segundo

No último sábado (21), o presidente do Conselho de Administração do Instituto de Aviação Civil de Moçambique, João Abreu, revelou que o comandante do voo TM-470, Hermínio dos Santos Fernandes, teve "a clara intenção" de derrubar o aparelho Embraer 190.

A hipótese da existência de algum problema mecânico ou técnico com o avião produzido no Brasil já havia sido anteriormente afastada. Segundo João Abreu, as escutas feitas na caixa-preta - que registra as comunicações do voo - permitiram perceber que, no momento da queda, o comandante, considerado experimente com mais de 9 mil horas de voo, estaria sozinho no interior da cabine de comando da aeronave.

Itamaraty: Identificado brasileiro morto em queda de avião na Namíbia

Além dos sons dos diversos alarmes acionados automaticamente pelo avião, o responsável disse que se "ouvem insistentes batidas na porta da cabine, batidas essas" que teriam “sido ignoradas” por Hermínio Fernandes.

As caixas pretas também teriam revelado que a altitude do voo foi alterada manualmente três vezes, de 38 mil pés (cerca de 11,5 mil metros) para 592 pés (cerca de 180 metros), antes do choque do aparelho com o solo.

"A LAM vai solicitar o relatório detalhado que evidencia e prova os fatos e as conclusões preliminares da referida declaração e continuará a cooperar inteiramente com as autoridades de investigação", diz a companhia moçambicana no comunicado.

A LAM ainda não se pronunciou sobre a questão das indenizações às famílias das vítimas do desastre, mas especialistas avaliam que, dada a tese de suicídio, elas poderão não ser ressarcidas pelas seguradoras da empresa.

O voo TM-470 da LAM caiu em 29 de novembro na Namíbia, no Parque Nacional de Bwabwata, quando fazia a ligação Maputo-Luanda. A tragédia matou 33 pessoas: 27 passageiros e seis tripulantes.

Leia tudo sobre: acidente de aviãodesastres aéreosnamíbialam

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas