Rússia anuncia que ex-magnata libertado viajou para Alemanha

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Chancelaria alemã confirma chegada em aeroporto de Berlim; tratamento da mãe contra câncer justifica viagem

O ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky, que recebeu o indulto do presidente Vladimir Putin, saiu da prisão depois de dez anos nesta sexta-feira e partiu em direção à Alemanha, disseram funcionários prisionais. O Ministério de Relações Exteriores da Alemanha confirmou que Khodorkovsky chegou ao Aeroporto Schoenefeld, de Berlim, nesta tarde.

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Khodorkovsky (E) e seu ex-sócio Platon Lebedev são vistos em tribunal de Moscou e 2010

Perdão: Presidente russo indulta ex-magnata do petróleo Khodorkovsky

O Serviço Penitenciário Federal afirmou em uma declaração publicada em seu site nesta sexta que Khodorkovsky entrou com uma petição pedindo para deixar o país para encontrar sua mãe, que será submetida a um tratamento médico na Alemanha. A agência insistiu que ele saiu por sua própria vontade.

Em uma declaração divulgada no site de seus advogados e partidários, Khodorkovsky afirmou que o pedido de prisão enviado a Putin não foi uma admissão de culpa. "Espero ansiosamente o minuto em que poderei abraçar as pessoas mais próximas e pessoalmente apertar as mãos de todos os meus amigos e colegas", disse.

Em seu tempo na prisão sob acusações politicamente motivadas de evasão fiscal e fraude, Khodorkovsky, 50, transformou-se de um poderoso oligarca em um respeitado dissidente, tornando-se o pensador político que argumentava por justiça social e culpava Putin pela estagnação econômica da Rússia. Não ficou claro se Khodorkovsky manterá sua oposição ao Kremlin.

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O anúncio de Putin de que Khodorkovsky seria perdoado pareceu tomar tanto o público quanto seus advogados de surpresa. Sua libertação foi igualmente envolta em mistério. Várias horas antes, os advogados e a família de Khodorkovsky diziam não ter ideia de quando ele seria solto. Sua porta-voz, Olga Pispanen, mais tarde confirmou sua libertação.

Quando alcançado por telefone em sua casa nos arredores de Moscou, o pai de Khodorkovsky, Boris, disse que ele e sua mulher, Maria, viajarão para a Alemanha no sábado.

Na quinta-feira, Putin disse que Khodorkovsky entrou com uma apelação pedindo perdão porque a saúde de sua mãe se deteriorava. O site do Kremlin publicou um decreto na manhã desta sexta dizendo que Putin "foi guiado pelos princípios da humanidade" quando decidiu indultar Khodorkovsky.

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O perdão pareceu ser uma repentina mudança de postura do Kremlin, que vigorosamente processou Khodorkovsky desde sua prisão, em 2003, no que amplamente foi considerado uma retaliação de Putin às ambições políticas do magnata.

A medida — paralela a uma anistia que deve beneficiar duas presas do Pussy Riot e 30 ativistas do Greenpeace (incluindo a brasileira Ana Paula Maciel) - parece ter o objetivo de atenuar as críticas internacionais ao histórico de direitos humanos da Rússia antes das Olimpíadas de Inverno de Sochi, projeto favorito de Putin.

Khodorkovsky era o homem mais rico da Rússia, valendo bilhões de dólares, e CEO da maior companhia de petróleo do país quando foi preso em um aeroporto da Sibéria acusado de evasão fiscal.

Durante o primeiro mandato de Putin como presidente, o magnata do petróleo irritou o Kremlin ao financiar partidos de oposição, acreditando-se que também cultivasse ambições políticas. Suas ações desafiaram um pacto informal entre Putin e um pequeno círculo de bilionários, apelidados de "oligarcas", pelo qual o governo evitaria rever acordos de privatização que os tornou extremamente ricos.

A Yukos, companhia de petróleo de Khodorkovsky, foi efetivamente destruída sob o peso de uma conta de US$ 28 bilhões em dívida de impostos sonegados. A Yukos foi vendida. A maior parte dela foi para a estatal Rosneft, permitindo ao Kremlin reafirmar o controle do negócio de petróleo do país, assim como silenciar uma voz inconveniente.

Não se sabe quanto dinheiro Khodorkovsky ainda tem, mas provavelmente é uma pequena sombra de sua antiga fortuna.

*Com AP

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