EUA e Reino Unido espionaram Israel, grupos de caridade e elite econômica

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Documentos vazados por Snowden revelam lista com mais de 1 mil alvos de monitoramento pela NSA e GCHQ

As agências de inteligência dos EUA e do Reino Unido têm uma lista completa com mais de 1 mil alvos de monitoramento, incluindo a sede de um ex-primeiro-ministro de Israel, o comissário de competição da União Europeia (UE), os prédios do governo da Alemanha em Berlim e no estrangeiro, companhias energéticas e os chefes de instituições que fornecem ajuda humanitária e financeira na África, revelaram nesta sexta-feira o jornal britânico Guardian, o jornal americano New York Times e a revista alemã Der Spiegel citando documentos vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden.

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Placa do lado de fora do gabinete da Agência de Segurança Nacional (NSA)

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Os documentos mostram que o centro de comunicações do governo britânico (GCHQ, na sigla em inglês), em colaboração com a Agência Nacional de Segurança dos EUA, teve como alvo organizações como o programa de desenvolvimento da ONU, a Unicef e os Médicos do Mundo, uma entidade francesa que envia médicos e voluntários para zonas de conflito. O chefe da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas, na sigla em inglês) também aparece nos documentos, assim como mensagens de texto que ele enviou a colegas.

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As mais recentes revelações aumentarão a vergonha de Washington depois de a NSA ter sido duramente criticada por ter grampeado o celular da chanceler alemã, Angela Merkel. Comunicações da presidente Dilma Rousseff e de dezenas de outros líderes mundiais também foram interceptadas.

Um documento do GCHQ, escrito em janeiro de 2009, deixou claro que as agências monitoravam um endereço de email que pertencia a outro aliado-chave dos EUA - o "primeiro-ministro de Israel". Ehud Olmert estava no poder na época. Três outros alvos israelenses apareceram nos documentos do GCHQ documents, incluindo outro endereço de email que teria sido usado para enviar mensagens entre o então ministro da Defesa do Estado judeu, Ehud Barak, e seu chefe de gabinete, Yoni Koren.

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O fato de o Reino Unido ter a Alemanha como alvo pode tornar-se algo estranho para o primeiro-ministro David Cameron. Em outubro, ele endossou um comunicado da UE condenando a espionagem de líderes mundiais feita pela NSA, incluindo Merkel.

As revelações refletem a vastidão de alvos buscados pelas agências, que vão além do desejo de interceptar comunicações de terroristas e criminosos potenciais ou de diplomatas e autoridades de países hostis.

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Entre os nomes importantes que aparecem nos documentos está o de Joaquín Almunia, que é o vice-presidente da comissão europeia responsável pela política de competitividade. O espanhol é encarregado de grandes investigações antimonopólio e de aprovar fusões de companhias com presença significativa na UE.

Almunia esteve envolvido em uma longa investigação sobre o Google por queixas de que a companhia estaria concentrando a publicidade online; ele também brigou com o Google e a Microsoft por questões de privacidade e foi relevante na resposta da UE à crise financeira global.

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AP
Foto de Edward Snowden é estampada na primeira página de um jornal em Hong Kong (foto de arquivo)

O monitoramento de tal autoridade com uma grande papel em questões econômicas deve alarmar outras nações europeias e causar preocupações sobre se a inteligência produzida por Almunia ou outros é compartilhada com os EUA.

No total, comunicações de mais de 60 países eram alvo nessa operação particular, incluindo o gigante de defesa e logística Thales Group, que pertence parcialmente ao governo francês. Os documentos não esclarecem por que a GCHQ considerou válido monitorar essas autoridades, empresas e organizações.

Os documentos avaliados não revelam a extensão de qualquer monitoramento nem por quanto tempo qualquer interceptação de dados foi feita. Entretanto, cada indivíduo ou grupo tinha um número de identidade específico na "base de alvo de conhecimento" da agência britânica. Diferentemente da agência americana, a GCHQ tem direito a realizar espionagem relacionada a questões econômicas, mas apenas se isso tem vínculos com questões de segurança nacional.

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