Presidente russo perdoará ex-magnata Khodorkovsky, preso há mais de uma década

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Putin diz que dará indulto em breve. Medida é vista como nova tentativa de melhorar imagem antes de Olimpíadas

AP
Foto de 30/6/2004 mostra o ex-CEO Mikhail Khodorkovsky atrás das grades em corte de justiça em Moscou, Rússia

O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira que perdoará o ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky, que está há mais de uma década na prisão. 

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Depois de uma longa coletiva, Putin afirmou que Khodorkovsky submeteu uma apelação pedindo perdão, e que ele pretende concedê-lo com base em questões humanitárias.

Ele afirmou que Khodorkovsky "passou mais de dez anos na prisão. É uma pena séria", acrescentando que concederá o perdão "em breve". Representantes do ex-magnata, porém, negam que ele tenha apresentado qualquer apelação.

Khodorkovsky, que é visto por muitos como um prisioneiro político e que há muito tempo alega inocência, já tinha a previsão de deixar a prisão em agosto do próximo ano.

A medida parece fazer parte do esforço de Putin de atenuar as críticas internacionais a seu governo antes das Olimpíadas de Inverno em Sochi, que começam em fevereiro.

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Em mais uma iniciativa como parte desse esforço, o Duma (câmara baixa do Parlamento da Rússia) aprovou na quarta-feira uma anistia que, segundo advogados, permitirá libertar dois membros da banda punk Pussy Riot e livrar de um processo judicial 30 presos em um protesto do Greenpeace contra a exploração de petróleo no Ártico, incluindo a brasileira Ana Paula Maciel.

Em sua coletiva desta quinta, Putin advertiu que a Rússia tomará medidas firmes para se proteger de qualquer tentativa de grupos ambientalistas, como o Greenpeace, de interferir no desenvolvimento do Ártico.

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Segundo Putin, os ativistas do Greenpeace podem ter cumprido instruções para prejudicar os esforços da Rússia de explorar recursos energéticos no Ártico, sugerindo que governos podem estar por trás da ação. O presidente, no entanto, não identificou quais países teriam interesse em impedir a Rússia de explorar o Ártico.

O grupo de 30 ativistas foi solto da prisão após dois meses, e agora pode ser absolvido das acusações de vandalismo em decorrência da anistia aprovada na quarta-feira.

Ap imagens/ reprodução
Brasileira Ana Paula Maciel é vista em foto de arquivo em prisão russa

Resgate à Ucrânia

Na coletiva, Putin também descreveu o resgate financeiro da Rússia à Ucrânia como um ato de fraternidade para evitar uma crise econômica, e disse que a medida não tem como objetivo afastar Kiev da União Europeia (UE).

A Rússia concordou na terça-feira em comprar US$ 15 bilhões em títulos da Ucrânia e em reduzir o preço que o governo ucraniano paga pelo gás russo, semanas após Kiev ter recuado de um acordo comercial com a UE, o que provocou protestos contra o governo.

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"Agora vemos que a Ucrânia está em uma situação difícil... se realmente dizemos que eles são uma nação e povo fraternos, então devemos agir como familiares próximos e ajudar essa nação", disse Putin em coletiva.

"De nenhuma forma isso está relacionado com o Maidan (protestos no centro de Kiev) ou as negociações europeias com a Ucrânia", acrescentou.

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Putin reiterou que a decisão de reduzir o preço do gás é temporária, mas que espera chegar a um "acordo de cooperação de longo prazo" no setor de energia.

Segundo alguns analistas, o resgate russo à Ucrânia é uma aposta feita num momento de fragilidade para a própria economia da Rússia, e que a decisão foi tomada por questões geopolíticas.

*Com AP, BBC e Reuters

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