Meio-irmão de Obama relata violência doméstica em autobiografia

Por AP | - Atualizada às

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Mark Obama Ndesandjo, também filho do pai de Obama, relembra episódios em que sua mãe foi alvo de violência

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O meio-irmão do presidente Barack Obama publicará uma autobiografia em que detalha o abuso doméstico que foi tema de seu livro anterior parcialmente autobiográfico, cujo personagem abusivo foi inspirado em seu pai já falecido - também pai do presidente americano.

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Em autobiografia, Mark Obama Ndesanjo também relembra relação com presidente dos EUA (17/12)

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Mark Obama Ndesandjo também relata seus esporádicos, porém intensos, encontros com seu irmão no "Cultures: My Odyssey of Self-Discovery" ("Culturas: Minha Odisseia de Autodescoberta", em tradução literal), que será lançado em fevereiro, e tenta esclarecer alguns pontos do best-seller the Obama "Dreams From My Father", de 1995 (publicado no Brasil com o título "A Origem dos Meus Sonhos"). Nesse livro, Obama tenta saber mais sobre seu pai, uma figura ausente na maior parte do tempo, depois de receber a informação de sua morte em um acidente de carro aos 46 anos em 1982.

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O livro de Ndesandjo será lançado quatro anos depois de seu romance "Nairobi to Shenzhen: A Novel of Love in the East" (Nairóbi a Shenzhen: Um Romance de Amor no Oriente, em tradução livre). Assim como em seu primeiro livro, Ndesandjo quis trazer à tona a discussão sobre abuso doméstico usando a história de sua família, embora tenha dito em uma entrevista à Associated Press na terça-feira que os parentes do presidente não foram unânimes em aceitar que ele deixasse em público assuntos privados.

Quando questionado como ele descreveria seu relacionamento com seu irmão, ele disse: "Atualmente é frio e penso que parte da razão é minha escrita. Meu textos afastaram algumas pessoas em minha família."

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Apesar de sentir que seu relacionamento é distante, "espero que meu irmão e eu possamos realmente nos abraçar depois que acabar sua presidência e que possamos ser uma família novamente", disse Ndesandjo, que se parece com Obama. Assim como o presidente, Ndesandjo também tem uma mãe branca americana, Ruth Ndesandjo, uma judia que foi a terceira mulher de Barack Obama pai.

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. Foto: NYTMark Obama Ndesanjo, meio-irmão do presidente dos EUA, folheia sua autobiografia durante entrevista (17/12). Foto: APMark Obama Ndesanjo, meio-irmão do presidente dos EUA, mostra capa de sua autobiografia durante entrevista em Hong Kong (17/12). Foto: AP

Ndesandjo, 48, viveu 12 anos na cidade chinesa de Shenzhen, vizinha a Hong Kong. Ele se mudou para lá para ensinar inglês depois de perder seu emprego quando a economia americana ruiu após os ataques do 11 de Setembro, e agora trabalha como consultor. Ndesandjo, que é casado com um chinesa, aprendeu a falar chinês e se aprofundou no estudo da cultura chinesa, incluindo a poesia e a caligrafia de ideogramas. Treinado como uma pianista clássico, ele dá aulas como voluntário em um orfanato.

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Parte dos lucros do livro serão enviados a instituições de caridade para crianças, incluindo a própria fundação de Ndesandjo, que usa a arte para ajudar menores desfavorecidos.

Em seu novo livro, Ndesandjo relembra seu pai espancando sua mãe enquanto estava bêbado. Ele relata um incidente em que seu pai aproximou uma faca do pescoço de sua mãe depois de ela conseguir um ordem judicial contra ele.

Seus pais se conheceram quando Obama pai era um estudante na Universidade Harvard e se mudou em 1964 para o Quênia, onde Mark e seu irmão David eram nascidos. David mais tarde morreu em um acidente de moto.

Obama pai havia se divorciado previamente da mãe de Obama, Stanley Ann Dunham, depois que Obama nasceu no Havaí em 1961. A mãe de Mark Ndesandjo posteriormente se divorciou de Obama pai e se casou com outro nome, cujo sobrenome tanto a mãe quando o filho adotaram.

Ndesandjo e Obama não cresceram juntos. Ndesandjo passou a infância e a adolescência no Quênia, mas se mudou para os EUA para a faculdade, conseguindo se formar em física na Universidade Brown, completando um mestrado na mesma área na Universidade Stanford e obtendo um MBA na Universidade Emory.

O livro descreve seu primeiro encontro com Obama, que visitou o Quênia em 1988. Eles não se deram bem de cara.

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Mark Obama Ndesanjo, meio-irmão do presidente dos EUA, dá entrevista em Hong Kong (17/12)

"Barack achou que eu era muito branco, e eu o achei muito negro", disse Ndesandjo. "Ele era um americano em busca de suas raízes africanas, eu era um queniano, era um americano que vivia no Quênia, e estava em busca de minhas raízes brancas."

O livro de 500 páginas inclui um apêndice listando vários supostos erros factuais no livro lançado por Obama em 1995, como falas atribuídas incorretamente à mãe de Ndesandjo.

"É uma correção. Várias coisas que Barack escreveu naquele livro estão erradas, e posso entender isso porque, para mim, o livro foi para ele uma forma de compor uma identidade e ele estava usando fragmentos", disse Ndesandjo.

"Quis mencionar isso porque, primeiramente, queria que a história ficasse clara. Queria contar minha própria história, e não deixar outras pessoas fazerem isso por mim", afirmou.

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