Fidel: 'Sr. presidente, sou Castro', disse Raúl ao apertar mão de Obama

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Aperto de mão causou especulação de possível melhora da relação entre os dois países após décadas de animosidade

O presidente de Cuba, Raúl Castro, apresentou-se ao presidente dos EUA, Barack Obama, em inglês durante a cerimônia em homenagem a Mandela, dizendo-lhe: "Sr. presidente, sou Castro", enquanto os dois trocavam um aperto de mão.

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Presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, trocam aperto de mão em cerimônia em homenagem a Mandela (10/12)

Dia 10: Obama troca aperto de mão com presidente de Cuba

Isso segundo o irmão de Raúl, Fidel, que quebrou um silêncio de meses nesta quinta-feira em um longo editorial na mídia estatal discutindo os laços de Mandela com Cuba e a viagem de seu irmão à África do Sul.

O aperto de mão do dia 10 desatou uma especulação nos EUA e em Cuba se ele sinalizava uma melhora nas relações entre os dois países depois de décadas de animosidade. Autoridades americanas e cubanas desconsideraram essa ideia, caracterizando o cumprimento de mera cortesia.

Em seu artigo, em que lembrou o papel de Cuba no combate ao aparheid (regime de segregação racial), Fidel também elogiou seu irmão pelo aperto de mão, dizendo que ele demonstrou dignidade com o gesto.

Dia 15: Corpo de Nelson Mandela é enterrado

"Parabenizo o camarada Raúl por sua atuação brilhante (no tributo), e especialmente por sua firmeza e dignidade quando fez uma saudação amigável, mas firme, ao chefe do governo dos EUA.

A Casa Branca subestimou o aperto de mãos, dizendo que não foi planejado e não passou de uma gentileza.

Ainda assim, o encontro teve ressonância porque as relações entre EUA e Cuba foram submetidas a um inesperado aquecimento nos últimos meses, com vários casos de cooperação em vez da retórica hostil habitual.

Veja fotos da cerimônia de homenagem a Mandela no dia 10:

Presidente dos EUA, Barack Obama (D), tira selfie com premiês da Dinamarca, Helle Thorning Schmidt (C), e do Reino Unido, David Cameron , em cerimônia por Mandela. Foto: Getty ImagesMenino com o rosto pintado durante tributo ao ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Foto: APA presidente Dilma Rousseff chega ao Estádio FNB. Ela foi uma das oradoras da cerimônia a Nelson Mandela. Foto: ReutersO presidente dos EUA, Barack Obama, desembarca ao lado de Michelle Obama. Foto: APRosto de Nelson Mandela é visto em telão durante serviço em sua memória no Estádio FNB, em Johanesburgo. Foto: APGraça Machel, viúva de Nelson Mandela, durante a cerimônia de homenagem ao ícone antiapartheid
. Foto: APA atriz sul-africana Charlize Theron e o cantor Bono são vistos no estádio. Foto: APImagem do ex-presidente Nelson Mandela, que morreu aos 95 anos, é vista. Sob chuva, milhares de sul-africanos acompanharam as cerimônias. Foto: APBarack Obama e sua esposa, Michelle Obama, olham folheto oficial durante a cerimônia de homenagem a Mandela. Foto: ReutersPresidente Dilma Rousseff acena ao chegar a cerimônia de memória a Nelson Mandela. Ela foi uma das oradoras da homenagem. Foto: APApesar da chuva, milhares de sul-africanos foram ao estádio homenagear o ícone antiapartheid. Foto: ReutersDilma observa o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cumprimentar o presidente cubano, Raul Castro . Foto: ReutersDurante a cerimônia, presidente Obama se encontra com o presidente cubano, Raúl Castro, e aperta sua mão no Estádio FNB em Soweto. Foto: APSul-africanos acompanham discurso de Obama. O presidente dos Estados Unidos disse que Nelson Mandela foi um "gigante da história" e o "último grande libertador do século". Foto: APA ex-secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton cumprimenta o ex-primeiro-ministro britânico John Major . Foto: APObama beija a viúva de Nelson Mandela, Graça Machel, durante a cerimônia em memória ao ex- memorial para o ex-presidente. Foto: APMulher segura imagem de Nelson Mandela e se emociona durante tributo ao ícone antiapartheid. Foto: APPresidente sul-africano, Jacob Zuma, fará o principal discurso da cerimônia. Ele foi vaiado pelos presentes. Foto: ReutersO ex-primeiro-ministro britânico John Major, centro, cumprimenta o ex-presidente dos EUA, George W. Bush. Mais a frente, o também ex-presidente dos EUA, Bill Clinton. Foto: APSul-africanas abraçam imagem de Nelson Mandela durante uma cerimônia em Johanesburgo em homenagem ao ex-presidente. Foto: ReutersA rainha Rania, da Jordânia, também esteve presente na cerimônia que lembrou o ex-presidente Nelson Mandela. Foto: ReutersHomem segura foto de Mandela ao entrar no estádio. Foto: APPresidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, chega ao estádio para acompanhar o tributo. Foto: ReutersSecretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente sul-africano, Jacob Zuma, acompanha homenagem. Foto: APDurante a cerimônia de homenagem a Nelson Mandela, mulher lê um jornal. Milhares acompanharam tribuno. Foto: ReutersA modelo Naomi Campbell chega ao Estádio FNB em Soweto, onde o ex-presidente Nelson Mandela receberá homenagens que fazem parte do seu funeral. Foto: APO ex-presidente da França Nicolas Sarkozy e seu sucessor, François Hollande, participam da cerimônia. Na foto, acima, primeiro-ministro italiano Enrico Letta e sua esposa. Foto: ReutersSul-Africanos aguardam em portão para participar de homenagem ao ex-presidente Nelson Mandela, que morreu aos 95 anos. Foto: ReutersSob chuva, grupo chega para acompanhar homenagem a Mandela. Foto: APMulheres posam ao chegar no Estádio Soccer City . Foto: APPresidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi um dos oradores da cerimônia. Foto: APMultidão começa a lotar o Estádio FNB (Soccer City) em Soweto. A chuva que caia  afastou muitos da cerimônia. Foto: ReutersPresidente da Índia, Pranab Mukherjee, chega ao evento em memória de Nelson Mandela. Foto: AP
Winnie Mandela, ex-mulher do ex-presidente, é vista no Estádio FNB (Soccer City) em Soweto, onde acontecem as homenagens
. Foto: Reuters

Obama disse no mês passado, em Miami, que pode ser hora de os EUA reverem as políticas com relação à Cuba, contra quem o governo americano mantém um embargo comercial há mais de meio século.

Obama questionou se a política em prática desde 1961 continua a ser uma forma eficaz de lidar com as diferenças dos EUA com a ilha comunista.

Ícone antiapartheid da África do Sul: Morre aos 95 anos Nelson Mandela

Fidel, de 87 anos e que foi operado em 2006 no intestino e nunca se recuperou totalmente, entregou o poder ao irmão cinco anos mais novo em 2008.

Fidel não fez nenhum comentário público sobre a morte de Mandela à época, e não pôde comparecer à cerimônia de homenagem na África do Sul por causa da idade avançada.

Ele não é visto em público há meses, mas uma foto oficial divulgada na segunda-feira o mostrou sentado conversando com seu biógrafo, o escritor espanhol Ignacio Ramonet, na semana passada.

Fidel Castro foi uma voz de liderança contra o apartheid numa época em que outros líderes mundiais relutavam em falar.

Mandela era profundamente grato ao apoio cubano na luta contra o apartheid - um conflito que incluiu tropas cubanas que lutaram e morreram no sul de Angola.

*Com AP e Reuters

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