Aperto de mão causou especulação de possível melhora da relação entre os dois países após décadas de animosidade

O presidente de Cuba, Raúl Castro, apresentou-se ao presidente dos EUA, Barack Obama, em inglês durante a cerimônia em homenagem a Mandela , dizendo-lhe: "Sr. presidente, sou Castro", enquanto os dois trocavam um aperto de mão .

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Presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, trocam aperto de mão em cerimônia em homenagem a Mandela (10/12)
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Presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, trocam aperto de mão em cerimônia em homenagem a Mandela (10/12)

Dia 10: Obama troca aperto de mão com presidente de Cuba

Isso segundo o irmão de Raúl, Fidel, que quebrou um silêncio de meses nesta quinta-feira em um longo editorial na mídia estatal discutindo os laços de Mandela com Cuba e a viagem de seu irmão à África do Sul.

O aperto de mão do dia 10 desatou uma especulação nos EUA e em Cuba se ele sinalizava uma melhora nas relações entre os dois países depois de décadas de animosidade. Autoridades americanas e cubanas desconsideraram essa ideia, caracterizando o cumprimento de mera cortesia.

Em seu artigo, em que lembrou o papel de Cuba no combate ao aparheid (regime de segregação racial), Fidel também elogiou seu irmão pelo aperto de mão, dizendo que ele demonstrou dignidade com o gesto.

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"Parabenizo o camarada Raúl por sua atuação brilhante (no tributo), e especialmente por sua firmeza e dignidade quando fez uma saudação amigável, mas firme, ao chefe do governo dos EUA.

A Casa Branca subestimou o aperto de mãos, dizendo que não foi planejado e não passou de uma gentileza.

Ainda assim, o encontro teve ressonância porque as relações entre EUA e Cuba foram submetidas a um inesperado aquecimento nos últimos meses, com vários casos de cooperação em vez da retórica hostil habitual.

Veja fotos da cerimônia de homenagem a Mandela no dia 10:

Obama disse no mês passado, em Miami, que pode ser hora de os EUA reverem as políticas com relação à Cuba, contra quem o governo americano mantém um embargo comercial há mais de meio século.

Obama questionou se a política em prática desde 1961 continua a ser uma forma eficaz de lidar com as diferenças dos EUA com a ilha comunista.

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Fidel, de 87 anos e que foi operado em 2006 no intestino e nunca se recuperou totalmente, entregou o poder ao irmão cinco anos mais novo em 2008.

Fidel não fez nenhum comentário público sobre a morte de Mandela à época, e não pôde comparecer à cerimônia de homenagem na África do Sul por causa da idade avançada.

Ele não é visto em público há meses, mas uma foto oficial divulgada na segunda-feira o mostrou sentado conversando com seu biógrafo, o escritor espanhol Ignacio Ramonet, na semana passada.

Fidel Castro foi uma voz de liderança contra o apartheid numa época em que outros líderes mundiais relutavam em falar.

Mandela era profundamente grato ao apoio cubano na luta contra o apartheid - um conflito que incluiu tropas cubanas que lutaram e morreram no sul de Angola.

*Com AP e Reuters

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