Snowden não faz novo pedido de asilo em carta ao Brasil, diz jornalista dos EUA

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em carta, Snowden explica por que ainda não pode ajudar Brasil, diz repórter que iniciou série de matérias sobre caso

O jornalista americano Glenn Greenwald negou nesta terça-feira que o ex-técnico da CIA Edward Snowden tenha voltado a pedir em uma carta que o governo brasileiro lhe conceda asilo político para, em troca, poder ajudar o Brasil a investigar as atividades de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), como noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo. Juntamente com Laura Poitras, uma cineasta dos EUA, Greenwald é o repórter que deu início à série de denúncias contra a NSA.

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“(A carta) está amplamente mal interpretada", disse o jornalista em um email ao BuzzFeed e em sua conta no Twitter. “Ele já pediu asilo há meses ao Brasil e a vários governos, e isso ainda está pendente." O companheiro de Greenwald, o brasileiro David Miranda, apoia uma campanha online pela concessão do asilo a Snowden no Brasil.

Quando as primeiras denúncias sobre espionagem dos EUA vieram à tona, Snowden requisitou asilo político a 21 países, entre os quais o Brasil, que rejeitou responder ao pedido. Também na América Latina, Bolívia, Nicarágua e Venezuela afirmaram que acatariam a requisição. Atualmente Snowden vive na Rússia com um asilo temporário de um ano.

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“Os senadores brasileiros e outras autoridades vêm lhe pedindo que participe em uma investigação criminal no Brasil sobre o monitoramento americano, então ele escreveu uma carta aberta explicando por que atualmente isso não é possível", disse Greenwald.

Por causa da matéria publicada na Folha, a presidente Dilma Rousseff tinha previsão de se reunir nesta terça-feira com os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) para discutir o caso de Snowden. Segundo assessores, um eventual novo pedido de asilo do ex-técnico da CIA seria deferido por Dilma.

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Na carta, em que elogia a posição firme do Brasil contra as denúncias de espionagem, Snowden lembra que muitos senadores pediram sua ajuda para investigar "supostos crimes cometidos contra os cidadãos brasileiros". 

"Expressei minha vontade de ajudar quando for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA trabalhou muito duro para limitar minha habilidade de fazê-lo", afirma Snowden na mensagem intitulada "Carta Aberta ao Povo Brasileiro", acrescentando: "Até que um país me conceda asilo político, o governo dos EUA continuará interferindo em minha habilidade de falar."

O jornal britânico Guardian foi o primeiro a publicar informações sobre os programas de espionagem da NSA em junho, com base em alguns dos milhares de documentos que Snowden entregou a Greenwald e Poitras.

Denúncias:
- Presidente Dilma 'foi alvo de espionagem dos EUA'
- Petrobras teria sido alvo de espionagem dos EUA

AP Photo/The Guardian
Edward Snowden, o ex-técnico da CIA asilado na Rússia (foto de arquivo)

Os documentos revelaram que o Brasil é o principal alvo da NSA na América Latina, espionagem que incluiu o monitoramento do celular da presidente Dilma e a invasão da rede de comunicação interna da Petrobras.

As revelações irritaram Dilma, que em outubro cancelou uma visita como chefe de Estado a Washington. Ela também se uniu à Alemanha para pressionar a adoção, pela ONU, de uma resolução simbólica que busca estender os direitos de privacidade para todas as pessoas na era digital.

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Dilma também ordenou que o governo tomasse várias medidas, incluindo colocar cabos de fíbra ótica diretamente para nações da Europa e da América do Sul, em um esforço para distanciar o Brasil da base de internet centrada nos EUA, que, dizem especialistas, facilitou a espionagem da NSA.

Em sua carta, Snowden desconsiderou as explicações dadas pelos EUA ao governo brasileiro e a outros de que os metadados coletados em bilhões de emails e chamadas telefônicas eram mais "coletas de dados" do que monitoramento.

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"Há uma grande diferença entre programas legais, uma espionagem legítima, e esses programas de monitoramente em massa que colocam populações inteiras sob um olho que a tudo vê e salva para sempre cópias (do material coletado)", escreveu. "Esses programas nunca foram sobre terrorismo: eles são espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Eles são sobre o poder."

A carta surgiu um dia depois de um juiz distrital americano decidir que a ampla coleta de milhões de registros telefônicos de americanos pela NSA provavelmente viola a proibição constitucional à busca indiscriminada. O caso provavelmente deve passar por várias instâncias até chegar á Suprema Corte.

"Há seis meses, eu revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro", escreveu Snowden. "Agora, o mundo inteiro está ouvindo ao chamado e se expressando também. A cultura do monitoramento mundial indiscriminado, exposto em debates públicos e investigações reais em cada continente, está ruindo."

*Com AP

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