Dilma diz que eleição de Bachelet vai aprofundar laços do Chile com Brasil

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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'Temos compreensão clara do papel da integração da América do Sul', diz presidente sobre Bachelet no Twitter

A presidente Dilma Rousseff parabenizou nesta segunda-feira a presidente eleita do Chile, Michelle Bachelet, pela vitória na eleição de domingo, e afirmou que a mudança no governo chileno vai ampliar as relações entre os dois países.

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Presidente Dilma Rousseff chamou Bachelet de 'amiga e parceira' em mensagem no Twitter (foto de arquivo)

Domingo: Bachelet vence segundo turno e volta à presidência no Chile

Após vitória eleitoral: 'Um Chile para todos é necessário', diz Bachelet

A socialista Bachelet derrotou a candidata governista Evelyn Matthei, de direita, com 62% dos votos no segundo turno da eleição presidencial - o maior percentual obtido por qualquer candidato desde a volta da democracia, em 1990.

"Saúdo a sra. Michelle Bachelet pela sua eleição para presidenta do Chile", disse Dilma em mensagem no Twitter, em que chamou a líder chilena de "amiga e parceira do Brasil".

"Estou certa de que o meu governo e o de Michelle Bachelet irão aprofundar ainda mais as relações entre nossos países. Brasil e Chile têm muito a cooperar e a construir juntos. Temos uma compreensão clara do papel da integração da América do Sul", acrescentou Dilma.

Após assegurar o retorno à presidência, a socialista moderada, que governou o Chile pela primeira vez entre 2006 e 2010, prometeu realizar grandes reformas tributárias e educacionais para atenuar as divisões sociais no Chile. A médica socialista volta ao Palácio de La Moneda quatro anos após completar seu primeiro mandato.

"O Chile olhou para si, olhou seu caminho, sua história recente, suas feridas, seus feitos, suas tarefas pendentes, e este Chile decidiu que é hora de iniciar transformações profundas", disse Bachelet a uma eufórica multidão de admiradores no domingo à noite sob uma chuva de confetes.

"Não há dúvida: os lucros não podem ser o motor por trás da educação, porque a educação não é uma mercadoria e porque os sonhos não são um bem de consumo", afirmou.

Geralmente, as boas escolas chilenas são pagas, e protestos estudantis - alguns violentos - pedindo uma mudança nessa situação contribuíram para reduzir a popularidade do presidente conservador Sebastián Piñera.

Bachelet disputou a eleição prometendo novas políticas sociais que combatam as desigualdades sociais e propondo um aumento dos impostos empresariais para bancar esses planos.

AP
A presidente eleita Michelle Bachelet acena durante comício da vitória em Santiago do Chile (15/12)

"Ela vai governar com profundas demandas por mudanças", disse o senador Ricardo Lagos Weber, aliado de Bachelet, à Reuters. "O país não está na lona, é saudável, organizado, está crescendo economicamente, gerando empregos e melhorando os salários. Mas também é profundamente desigual."

Outra promessa de campanha da presidente eleita é alterar a Constituição e o sistema eleitoral, herdados da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

"Bachelet prometeu muito, e as expectativas estão elevadas, ao passo que a situação (econômica) não está tão favorável quanto em anos recentes", disse o cientista político Patricio Navia, professor da Universidade de Nova York.

Se precisar rever suas promessas por causa da necessidade de controlar os gastos públicos, é possível que também enfrente protestos. Logo depois do anúncio da vitória, desconhecidos hackearam o site do Ministério da Educação, onde deixaram a seguinte frase: "Senhora presidente, vamos nos encarregar de tornar as coisas difíceis para a senhora. O ano que vem será uma época de protestos."

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