Duas mulheres disputam segundo turno da eleição presidencial do Chile

Por iG São Paulo |

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Vizinhas na infância, Michelle Bachelet e Evelyn Matthei tiveram os pais em lados opostos na ditadura de Pinochet

Duas mulheres disputam neste domingo o segundo turno das eleições presidenciais do Chile. A ex-presidente de esquerda Michelle Bachelet (2006-2010), que venceu o primeiro turno com quase 47% dos votos em 17 de novembro, concorre ao cargo contra a conservadora Evelyn Matthei, ex-ministra do governo de centro-direita de Sebastián Piñera. Matthei alcançou 25,01% dos votos na primeira votação.

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Fotos mostram a candidata conservadora Evelyn Matthei (E) e a ex-presidente de centro-esquerda Michelle Bachelet, que tenta voltar à presidência no Chile

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De acordo com analistas, Bachelet, 62, que foi constitucionalmente barrada de disputar um segundo mandato consecutivo e era muito popular quando deixou o cargo, não deve encontrar dificuldades para recuperar a presidência.

Ela lidera uma aliança de seu Partido Socialista, dos democrata-cristãos e dos comunistas e sua campanha teve como base a ênfase a um audacioso programa de reformas para corrigir as desigualdades sociais no país, que é o maior exportador de cobre do mundo.

O Chile é um dos países mais ricos da América Latina, mas milhões protestaram em anos recentes para pressionar por uma maior distribuição da riqueza e uma melhor educação.

De estilo amável e caloroso, Bachelet quer entrar para a história como a presidente que diminuiu a enorme distância entre ricos e pobres no Chile através de uma revolução na educação pública financiada por uma milionária reforma tributária.

Essa é a parte relativamente fácil. Bachelet poderá encontrar muito mais resistência para rescrever a Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que limita a formação de maiorias no Congresso e dificulta o governabilidade.

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Candidata presidencial Michelle Bachelet dança durante último comício de campanha em Santiago do Chile (12/12)

"Temos duas opções neste domingo: uma que busca mudanças e a outra que se opõe a elas", disse a médica Bachelet. Sua promessa de melhorias sociais seduziu muito os chilenos, que não se sentem beneficiados pelas riquezas naturais do Chile, uma das nações mais estáveis da América Latina.

De temperamento mais confrontador, Matthei, 60, concorre com a desvantagem de ter entrado tarde na corrida presidencial. Dois candidatos da aliança de centro-direita renunciaram no início deste ano: um por supostas irregularidades financeiras e outro por lutar contra uma depressão. Além da entrada tardia na campanha, a ex-ministra do Trabalho não conseguiu convencer a maioria dos chilenos a apoiar a continuidade das políticas liberais de Piñera.

Depois do primeiro turno, a candidata de direita rejuvenesceu sua equipe de campanha para tentar conquistar os eleitores de centro e diminuir a diferença com Bachelet.

A aposta da candidata é melhorar o nível de participação nas primeiras eleições com voto voluntário no Chile. Em novembro, metade dos 13,6 milhões de cidadãos habilitados votaram. Para a maioria dos analistas, o resultado da eleição está traçado e resta apenas saber qual o nível de apoio que Bachelet terá.

"Acho que o objetivo dela é (conseguir) mais de 60%, um pouco acima dos 65% é muito bom," disse à Reuters Kenneth Bunker, analista político da Universidade Diego Portales, em Santiago. "Qualquer coisa abaixo de 55% seria um resultado ruim para ela."

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Candidata presidencial Evelyn Matthei gargalha ao visitar voluntários de sua campanha em Santiago do Chile (13/12)

Pais em lados opostos da ditadura

Além de escolher entre esquerda e direita, os chilenos escolherão entre as filhas de dois generais da Força Aérea antes amigos que estiveram em lados opostos durante o golpe militar de Pinochet, em 1973, um período que ainda divide os chilenos. Quando crianças na década de 1950, as duas eram vizinhas e costumavam brincar juntas na base aérea onde seus pais trabalhavam.

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O pai de Bachelet se manteve leal ao presidente deposto, Salvador Allende, e morreu de problemas cardíacos agravados por sessões de tortura na prisão em 1974. O de Matthei chegou a integrar a junta de Pinochet e, no início deste ano, um juiz afirmou que ele não tinha conhecimento ou envolvimento nos atos de tortura do regime.

Bachelet foi presa e torturada depois do golpe e foi para o exílio, como dezenas de milhares de chilenos. Durante seu primeiro governo, o Chile se estabeleceu como uma das economias de sucesso da América Latina, e agora Bachelet quer encurtar a distância social que ainda existe.

Para financiar a educação gratuita, Bachelet prometeu uma reforma fiscal que pretende arrecadar cerca de US$ 8,2 bilhões adicionais com um aumento dos impostos corporativos e com o fim de benefícios a empresas.

*Com Reuters e BBC

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