Obama reforma agência de espionagem após caso Edward Snowden

Por Reuters |

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Mudanças, no entanto, visam principalmente evitar que outros funcionários vazem documentos sigilosos

Reuters

A agência norte-americana NSA (National Security Agency) fez dezenas de mudanças em suas operações e redes de computadores para impedir o surgimento de um "novo Edward Snowden", incluindo eventual ação disciplinar, disse na sexta-feira (13) uma autoridade do órgão, depois que uma revisão de atividades feita pela Casa Branca recomendou restrições ao trabalho de espionagem.

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NSA infectou 50 mil redes de computador para espionagem

As revelações feitas por Snowden, que prestou serviços para a NSA, foram "cataclísmicas" para a agência de espionagem, afirmou Richard Ledgett, que lidera uma força-tarefa de resposta ao vazamento de informações, em uma rara entrevista na central do órgão, localizada em Fort Meade, Maryland.

Na entrevista de mais de uma hora, Ledgett reconheceu que a agência fez um mau trabalho na resposta inicial para as revelações sobre o monitoramento que a NSA faz de dados telefônicos e da internet. Ele prometeu maior transparência e disse estar muito preocupado com os documentos ultrassecretos que ainda não vieram a público e que estão entre os 1,7 milhão aos quais Snowden deve ter tido acesso.

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Ele também defendeu a missão da NSA de investigar ameaças de ataques terroristas e outras conspirações, e disse que o recrutamento de jovens gênios da computação e linguistas não foi afetado pelo caso Snowden, embora o moral dos funcionários não esteja bom.

"Quando você confia em pessoas, sempre há a chance de alguém trair você", afirmou. A NSA está tomando 41 medidas técnicas para gerir os dados e rastreá-los, com o intuito de controlar as redes da agência que cuidam das atividades e melhorar a supervisão de funcionários.

Entre essas medidas, está uma que requer o controle de duas pessoas de qualquer local em que alguém possa acessar dados, outra que melhora o processo de segurança sobre os indivíduos e mais uma que exige checagens mais frequentes do acesso aos sistemas administrativos, disse Ledgett.

Após meses de muitas críticas na imprensa, no Congresso e por parte de governos estrangeiros, a NSA agora está tendo que esquecer seu caráter recluso para contar a sua versão sobre o vazamento proporcionado por Snowden.

Ledgett, um veterano com 36 anos nos serviços de inteligência e que está alinhado com o vice-diretor da agência, brincou que dar entrevista é uma "experiência completamente transcendental para mim". Ele falou no mesmo dia em que a Casa Branca decidiu manter a prática de ter um único chefe na NSA e na U.S. Cyber Command, que conduz assuntos de guerra cibernética, um resultado que favorece a liderança da agência.

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