Polícia da Ucrânia começa a desmontar acampamentos e dá ultimato a manifestantes

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ativistas pró-União Europeia são alertados a sair de áreas de protesto até terça, quando presidente discute crise

A polícia da Ucrânia começou nesta segunda-feira a desmantelar ao menos dois acampamentos de protesto e forçar os manifestantes a se retirar de ruas onde, de acordo com o Ministério do Interior, bloqueiam o acesso a prédios do governo na capital do país, Kiev. Um partido da oposição afirmou que a polícia também invadiu sua sede.

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AP
Tropa de choque da Ucrânia dispersa ativistas pró-UE de prédios do governo em Kiev

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A medida foi tomada um dia depois de Kiev ter sido palco dos maiores protestos da oposição desde a Revolução Laranja de 2004. Milhares de manifestantes passaram a noite sob um frio congelante no centro de Kiev após o enorme protesto antigoverno, em que um grupo de pessoas destruiu a estátua do líder revolucionário russo Lênin, levando seus pedaços desmembrados como troféus para a Praça da Independência.

Uma coluna de 20 ônibus policiais foi enviada à capital a partir de Vasylkiv, a 20 km ao sul da cidade, informou a TV 5 Kanal. Aos manifestantes foi dado um ultimato para que saiam até terça. Não há informações de confrontos.

Maior protesto desde 2004: Manifestantes destroem estátua de Lênin

Líderes da oposição conclamaram seus partidários a defender a Praça da Independência, o principal local de protesto. O ministério anunciou que nenhuma ação foi tomada em relação à praça, onde os manifestantes agora montam barricadas adicionais.

Veja imagens dos protestos na Ucrânia:

Jovem é visto sobre barricadas para defender ativistas pró-UE em Kiev, Ucrânia (9/12)
. Foto: APPoliciais antidistúrbio bloqueiam ativistas pró-UE reunidos na Praça da Independência, em Kiev (9/12). Foto: APOficiais da polícia antidistúrbio são visto dentro de ônibus enquanto esperam para bloquear ativistas reunidos na Praça da Independência em Kiev, Ucrânia (9/12). Foto: APManifestante destrói estátua com uma marreta na Ucrânia (8/12). Foto: APManifestantes derrubaram estátua de Lênin na Ucrânia (8/12). Foto: APManifestantes usam marreta contra estátua de Lênin na Ucrânia (8/12). Foto: APImagem de arquivo de estátua de Lênin em Kiev, Ucrânia. Foto: APAtivistas pró-União Europeia lotam Praça da Independência e Kreshchatik, a principal rua de Kiev, Ucrânia (8/12). Foto: APParte da estátua no chão (8/12). Foto: APManifestantes se revezaram no uso da marreta contra a estátua de Lênin (8/12). Foto: APManifestantes criticam presidente por se distanciar da Europa e estreitar laços com a Rússia. Foto: APPedaços da estátua foram levados para a Praça da Independência, em Kiev (8/12). Foto: APManifestação de domingo reuniu centenas de milhares em Kiev (8/12). Foto: APManifestação foi a maior a acontecer no país desde a Revolução Laranja, em 2004. Foto: APAtaque à estátua simboliza repúdio da relação da Ucrânia com a Rússia (8/12). Foto: APManifestantes sobem na estrutura onde ficava a estátua em Kiev (8/12). Foto: APUcranianos fantasiados de cossacos e ativistas pró-União Europeia participam de protesto em Kiev (8/12). Foto: APMultidão é vista em local onde ficava estátua de Lênin em Kiev (8/12). Foto: AP

O impasse se segue a semanas de intraquilidade depois que a Ucrânia desistiu de um acordo de livre comércio com a União Europeia (UE). O procurador-geral Viktor Pshonka advertiu os manifestantes a parar de causar "anarquia e ilegalidade" ao bloquear os prédios.

"Pedimos que as pessoas montem guarda, pacificamente, sem uso da força ou da agressão, para defender seu direito de viver em um país livre", disse por sua vez o lutador de boxe peso-pesado Vitaly Klitschko, que surgiu como um dos líderes dos protestos, de acordo com a agência Reuters.

Saiba mais: Entenda a onda de protestos na Ucrânia

"Há a expectativa de que a polícia desmantele manifestações pacíficas. Se o sangue for jorrado durante a dispersão, ele estará nas mãos da pessoa que a ordenou: o presidente Viktor Yanukovych."

Manifestantes derrubam estátua de Lênin; assista:

Enquanto isso, o porta-voz do opositor Partido da Pátria disse que a polícia estava ocupando sua sede e "quebrando as portas". Entretando, a porta-voz da polícia disse que nem a polícia regular de Kiev ou a tropa de choque de Berkut conduziram quaisquer operações no endereço.

Os sites do Partido Pátria e do também opositor Partido da Liberdade estão atualmente inacessíveis. O Pátria é o partido liderado pela ex-premiê Yulia Tymoshenko, que foi presa em 2011 por conta de um controverso contrato de gás com a Rússia. Os manifestantes reivindicam sua libertação. O partido de Yulia conclamou a população a perseguir o presidente "até que ele caia".

'Xixi e Cocô': TV russa usa programa como símbolo de 'decadência ocidental'

O presidente Yanukovych disse que discutirá a crise com três ex-presidente na terça-feira para tentar alcançar um acordo. Os manifestantes reivindicam a renúncia do governo de Yanukovych e novas eleições.

Eles estão revoltados com as especulações de que Yanukovych, que se encontrou com o presidente russo, Vladimir Putin, na sexta-feira em Sochi, pode levar a Ucrânia a um acordo aduaneiro, uma decisão que a oposição alega se encaixar no projeto de Putin de recriar a União Soviética.

Reuters
Partidários da integração ao bloco europeu bloqueiam rua enquanto se manifestam durante queda de neve em Kiev, Ucrânia

Eles também criticam Yanukovych por se recusar a assinar um acordo de associação com a UE no mês passado. O presidente disse que o arquivou pelo fato de que o pacto poria o comércio com a Rússia em risco.

A Comissão Europeia afirmou que a chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, viajará à Ucrânia nesta semana "para apoiar uma forma para sair da crise política".

*Com BBC e AP

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