Confrontos matam 98 na República Centro-Africana; ONU aprova intervenção militar

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Conselho de Segurança autoriza mais soldados franceses e africanos para coibir conflito entre muçulmanos e cristãos

Os confrontos chegaram à capital da República Centro-Africana nesta quinta-feira, deixando dezenas de mortos e representando uma ameaça ainda maior ao novo governo justamente quando o Conselho de Segurança da ONU autorizou uma força de intervenção para evitar um banho de sangue entre cristãos e muçulmanos.

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AP
Corpos são vistos em necrotério em Bangui, capital da República Centro-Africana, depois de um dia de violência

Testemunhas e funcionários de entidades assistenciais dizem que ao menos 98 estão mortos em Bangui depois de um dia de choques entre os combatentes muçulmanos armados que governa o país e uma milícia cristã opositora.

Um repórter da Associated Press contou 48 corpos em uma mesquita em um bairro no norte da cidade na noite desta quinta-feira. Separadamente, os Médicos Sem Fronteiras confirmaram ao menos 50 mortos em hospitais que gerenciam.

Os combatentes cristãos armados atacaram a capital antes do amanhecer, na violência mais séria a atingir Bangui desde o golpe de Estado de março, que levou ao poder a coalizão rebelde Seleka. Os ex-rebeldes são acusados de cometer uma série de abusos aos direitos humanos, enquanto as milícias cristãs que apoiam o presidente deposto estão implicadas em massacres em comunidades muçulmanas.

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Destacando o caos, mesmo as casas do presidente e do primeiro-ministro foram saqueadas nesta quinta.

Horas mais tarde, o Conselho de Segurança autorizou o aumento de uma ação militar pela França e por tropas africanas para tentar pôr fim à quase anarquia na extremamente volátil ex-colônia francesa.

De forma unânime, o conselho aprovou um resolução apresentada pela França com o objetivo de restaurar a segurança e proteger os civis no país empobrecido.

O ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse que a intervenção militar se desdobraria rapidamente depois da votação da ONU, afirmando à TV BFM que o posicionamento da França no país totalizaria cerca de 1,2 mil soldados, com 600 já no local.

"Temos de pôr fim a essa catástrofe humanitária e restaurar a segurança", disse Fabius, que alertou que o país "está à beira do genocídio".

A Seleka é um improvável grupo de aliados que se uniram há um ano com o objetivo de forçar o presidente François Bozizé a sair da presidência após uma década no poder. Depois do cerco de milhares de rebeldes contra Bangui em março, Bozizé fugiu, e os insurgentes instalaram seu líder, Michel Djotodia, como presidente.

A resolução do Conselho de Segurança da ONU autoriza o posicionamento de uma força liderada pela União Africana (UA) na República Centro-Africana por um ano para proteger os civis e restaurar a segurança e a ordem pública. A força da UA está substituindo uma missão de paz regional, cuja presença tem se limitado muito à capital e a poucas cidades no norte.

A resolução também autoriza as forças francesas a tomar, por um período temporário, "todas as medidas necessárias" para apoiar a força liderada pela UA conhecida como Misca, cujo número de soldados deve subir de cerca de 2,5 mil para 3,5 mil.

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