Ex-presidente brasileiro classificou o líder do combate ao apartheid de "maior símbolo vivo da luta pela dignidade humana, pela liberdade e pela democracia" no mundo

Fernando Henrique Cardoso, Ruth Cardoso (esq.) e Nelson Mandela
Reprodução
Fernando Henrique Cardoso, Ruth Cardoso (esq.) e Nelson Mandela

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou na noite desta quinta-feira (5), em uma rede social, a morte do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. FHC classificou o líder do combate ao apartheid de "maior símbolo vivo da luta pela dignidade humana, pela liberdade e pela democracia". 

Conheça a nova home do Último Segundo

Leia também: Morre aos 95 anos Nelson Mandela, ícone antiapartheid da África do Sul

O tucano ainda lembrou de sua participação, há cerca de seis anos, em grupo fundado por Mandela, chamado "The Elders" (do inglês, Os Anciões). "Pude, dessa forma, vê-lo em ação. Aprendi mais ainda a respeitá-lo e a sentir de perto sua aura de grandeza e sua forma humilde de ser", explica o ex-presidente.

O ex-presidente morreu hoje, aos 95 anos, em sua casa, em Johanesburgo. O admirado líder sul-africano que se tornou símbolo da resistência negra e da luta contra o apartheid (regime de segregação racial) havia sido internado no dia 8 de junho em um hospital de Pretória para tratar uma recorrente infecção no pulmão, mas continuou o tratamento em casa a partir de setembro.

O mundo perde uma das figuras mais extraordinárias, diz Lula sobre Mandela

‘Não consigo imaginar minha vida sem o exemplo de Mandela’, diz Obama

“Madiba”, apelido pelo qual é conhecido na África do Sul, era particularmente vulnerável a problemas respiratórios desde que contraiu tuberculose durante os 27 anos em que ficou preso sob o apartheid. Em 2001, ele se recuperou de um câncer de próstata.

Leia a íntegra da nota de Fernando Henrique Cardoso :

"Com a morte de Nelson Mandela perdemos o maior símbolo vivo da luta pela dignidade humana, pela liberdade e pela democracia. Sua altivez, seu antirracismo e sua generosidade ajudaram decisivamente a terminar com o apartheid na Africa do Sul. Eleito presidente, continuou lutando contra o atraso e a pobreza. Posteriormente, encampou a luta pela preservação das florestas úmidas e contra a disseminação da AIDS.

Desde que o conheci quando visitou o Brasil, no inicio dos anos noventa, mantive contatos com ele e com sua mulher, Graça Machel que era boa amiga da Ruth. Há cerca de seis anos, Mandela criou um grupo cujos membros escolheu, chamado os Elders, os Anciões. Tive a honra de ser indicado por ele para fazer parte desse grupo, ao lado de outros companheiros, dentre os quais sua mulher; o arcebispo Desmond Tutu, Kofi Annan, Jimmy Carter. Pude, dessa forma, vê-lo em ação. Aprendi mais ainda a respeitá-lo e a sentir de perto sua aura de grandeza e sua forma humilde de ser. Guardo dele as melhores recordações e presto as mais sentidas homenagens ao grande líder que foi, o mais impressionante entre todos que conheci.

Deixo aqui também meu abraço de profundo pesar a Graça e a família de Mandiba, como era chamado pelos que lhe eram próximos."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.