'O mais impressionante líder que conheci', diz FHC sobre morte de Mandela

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ex-presidente brasileiro classificou o líder do combate ao apartheid de "maior símbolo vivo da luta pela dignidade humana, pela liberdade e pela democracia" no mundo

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Fernando Henrique Cardoso, Ruth Cardoso (esq.) e Nelson Mandela

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou na noite desta quinta-feira (5), em uma rede social, a morte do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. FHC classificou o líder do combate ao apartheid de "maior símbolo vivo da luta pela dignidade humana, pela liberdade e pela democracia". 

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O tucano ainda lembrou de sua participação, há cerca de seis anos, em grupo fundado por Mandela, chamado "The Elders" (do inglês, Os Anciões). "Pude, dessa forma, vê-lo em ação. Aprendi mais ainda a respeitá-lo e a sentir de perto sua aura de grandeza e sua forma humilde de ser", explica o ex-presidente.

Mandela (ao fundo) chega ao tribunal em Pretória em agosto de 1958, para audiência de julgamento que durou mais de quatro anos. Foto: APEm 11 de fevereiro de 1990, Mandela deixa a prisão ao lado de sua mulher, Winnie Madikizela-Mandela. Foto: AFPEm 1993, Mandela recebe o Nobel da Paz ao lado de Frederick Willem de Klerk. Foto: APMandela entrega taça da Copa do Mundo de Rugby a François Pienaar, capital da seleção sul-africana (24 de junho de 1995). Foto: Getty ImagesMandela acena para a torcuda durante a abertura da Copa das Nações Africanas de futebol em Johanesburgo, em janeiro de 1996. Foto: Getty ImagesMandela e Graça passeiam em Johanesburgo, em setembro de 1996. Foto: APGraça Machel, então namorada de Mandela, dá risada ao lado do líder em evento em Soweto (fevereiro de 1997). Foto: APMandela leva o então presidente dos EUA, Bill Clinton, para conhecer a cela onde ficou 18 dos 27 anos em que esteve preso (março de 1998). Foto: APRei da Espanha, Juan Carlos, observa beijo de Mandela e Graça Machel durante cerimônia na Cidade do Cabo em fevereiro de 1999. Foto: APMandela encontra o vocalista do U2, Bono, em show beneficente na Cidade do Cabo em novembro de 2003. Foto: Getty ImagesMandela participa de comício do então candidato à presidência da África do Sul Jacob Zuma, em abril de 2009. Foto: Getty ImagesMandela e a mulher, Graça Machel, participam de comemoração dos 20 anos de sua libertação (11 de fevereiro de 2010). Foto: APNelson Mandela comparece ao funeral de sua bisneta Zenani Mandela, em Johanesburgo (17/6/2010). Foto: APAo lado da mulher, Graça Machel, Mandela acena ao público antes da final da Copa do Mundo em Johanesburgo, em 11 de julho de 2010 - sua última aparição pública. Foto: Getty ImagesCrianças de escola perto de hospital onde Mandela ficou internado janeiro de 2011 em Johanesburgo mostram cartas desejando melhoras ao ex-presidente. Foto: APCrianças de escola perto de hospital são vistas em janela onde cartaz diz: 'Te amamos, Madiba' (27/01/2011). Foto: AFPMichelle Obama visitou Mandela em sua casa em Joanesburgo, na África do Sul (21/06/2011). Foto: AFPEx-presidente sul-africano Nelson Mandela (E) recebe tocha que celebra centenário do governista Congresso Nacional do Povo (30/05/2012). Foto: APMandela e a família posam para foto em sua casa em Qunu, na África do Sul (17/07/2011). Foto: APO ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela recebe uma visita do ex-presidente americano Bill Clinton (17/07/2012). Foto: APSecretária de Estado americana, Hillary Clinton, visitou Mandela em Qunu, África do Sul (06/08/2012). Foto: AP

O ex-presidente morreu hoje, aos 95 anos, em sua casa, em Johanesburgo. O admirado líder sul-africano que se tornou símbolo da resistência negra e da luta contra o apartheid (regime de segregação racial) havia sido internado no dia 8 de junho em um hospital de Pretória para tratar uma recorrente infecção no pulmão, mas continuou o tratamento em casa a partir de setembro.

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“Madiba”, apelido pelo qual é conhecido na África do Sul, era particularmente vulnerável a problemas respiratórios desde que contraiu tuberculose durante os 27 anos em que ficou preso sob o apartheid. Em 2001, ele se recuperou de um câncer de próstata.

Leia a íntegra da nota de Fernando Henrique Cardoso:

"Com a morte de Nelson Mandela perdemos o maior símbolo vivo da luta pela dignidade humana, pela liberdade e pela democracia. Sua altivez, seu antirracismo e sua generosidade ajudaram decisivamente a terminar com o apartheid na Africa do Sul. Eleito presidente, continuou lutando contra o atraso e a pobreza. Posteriormente, encampou a luta pela preservação das florestas úmidas e contra a disseminação da AIDS.

Desde que o conheci quando visitou o Brasil, no inicio dos anos noventa, mantive contatos com ele e com sua mulher, Graça Machel que era boa amiga da Ruth. Há cerca de seis anos, Mandela criou um grupo cujos membros escolheu, chamado os Elders, os Anciões. Tive a honra de ser indicado por ele para fazer parte desse grupo, ao lado de outros companheiros, dentre os quais sua mulher; o arcebispo Desmond Tutu, Kofi Annan, Jimmy Carter. Pude, dessa forma, vê-lo em ação. Aprendi mais ainda a respeitá-lo e a sentir de perto sua aura de grandeza e sua forma humilde de ser. Guardo dele as melhores recordações e presto as mais sentidas homenagens ao grande líder que foi, o mais impressionante entre todos que conheci.

Deixo aqui também meu abraço de profundo pesar a Graça e a família de Mandiba, como era chamado pelos que lhe eram próximos."

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