Itália declara emergência na Sardenha após passagem de ciclone

Por Reuters |

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"É uma tragédia nacional", disse premier. Fenômeno deixou 17 mortos, entre eles quatro brasileiros da mesma família

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Dezenas de pessoas morreram em inundações e centenas ficaram desabrigadas depois que um ciclone varreu a ilha mediterrânea da Sardenha, informaram as autoridades italianas nesta terça-feira. Uma família brasileira, um casal e dois filhos, morreu dentro de casa em Arzachena, aparentemente após ter sido surpreendida por uma torrente de água.

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Ciclone na Itália mata família de brasileiros e ao menos mais dez pessoas

O governo declarou estado de emergência depois que o cliclone Cleópatra despejou 450 milímetros de chuva em uma hora e meia durante a noite, provocando o transbordamento de rios, arrastando carros e alagando casas por toda a ilha. "Está é uma tragédia nacional", disse o primeiro-ministro Enrico Letta.

Agentes usam botes para resgatar moradores e animais na rua San Gavino Monreale, em Sardenha. Foto: ReutersNavios cargueiros são sacudidos pelas águas no Golfo Cagliari nesta terça-feira, em Sardenha
. Foto: APCarros ficaram submersos após passagem do ciclone Cleópatra na ilha italiana; dezenas foram mortos. Foto: ReutersBombeiros trabalham no resgate dos atingidos pelas chuvas em Uras, cidade de Sardenha. Foto: APHomens usam bote para alcançar regiões alagadas em Olbia, ao norte de Sardenha, na segunda-feira (18) à noite . Foto: AP

A declaração de estado de emergência permitirá o envio mais rápido de recursos para as áreas devastadas, já que grandes porções da ilha estão inundadas por água lamacenta que cobre carros e alaga casas.

O governo também reservou 20 milhões de euros (27 milhões de dólares) de fundos emergenciais para ajudar nos trabalhos de resgate e limpeza. O prefeito de Olbia, Gianni Giovannelli, uma das cidades mais afetadas, no nordeste da Sardenha, disse que o alagamento repentino foi "como uma bomba", com uma quantidade de água em 90 minutos semelhante à que cai na cidade de Milão em seis meses.

Giovannelli afirmou que casas da área ficaram cobertas de água até a metade e as equipes de resgate ainda buscam vítimas. "Acabamos de encontrar uma criança morta que estávamos procurando a noite toda", disse ele à televisão SkyTG24.

Além das vítimas, o desastre levantou dúvidas sobre o quanto os governos locais da Itália, carentes de recursos e sob crescente pressão financeira depois de mais de dois anos de recessão, estão preparados para lidar com emergências.

AP
Homens usam bote para alcançar regiões alagadas em Olbia, ao norte de Sardenha, na segunda-feira (18) à noite


"Estamos enfrentando uma ocorrência excepcional aqui, que deixou em crise o nosso sistema de planejamento e gerenciamento territorial", declarou o vice-diretor do serviço geológico da ilha, Antonello Frau.

"Estamos prontos para analisar como lidamos com essas situações, que estão se tornando mais frequentes". Inundações e deslizamentos de terra são comuns na Itália, dominada em muitas áreas por cadeias de montanhas escarpadas.

Para o principal grupo ambientalista da Itália, o Legambiente, o desastre mostrou que há necessidade urgente de ampliar as medidas contra inundações e outros desastres, para o que conta com o apoio do conselho nacional geológico.

Segundo a entidade, mais de 6 milhões de italianos estão sob risco potencial de inundações, que se agravou por causa de construções desenfreadas, em especial em áreas costeiras. "Isto não é apenas culpa da mudança climática", afirmou o presidente da associação, Gian Vito Graziano, em um comunicado.

Segundo a Cruz Vermelha, centenas de pessoas tiveram que deixar suas casas e ir para abrigos temporários montados em centros esportivos e outros locais. Várias pontes foram arrasadas em Olbia e na região próxima da cidade de Nuoro. 

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