Ana Paula Maciel foi a 1ª ativista estrangeira beneficiada nesta terça-feira; ela responderá ao processo em liberdade

BBC

Um tribunal em São Petersburgo decidiu nesta terça-feira soltar, sob pagamento de fiança, a ativista brasileira Ana Paula Maciel, que está presa na Rússia devido a um protesto da organização de defesa do meio ambiente promovido pela Greenpeace.

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Primeiras decisões: R ússia concede fiança a dois dos 30 presos por protesto

Ativista Ana Paula Maciel segura cartaz durante audiência na segunda-feira em tribunal russo (18/11)
AP
Ativista Ana Paula Maciel segura cartaz durante audiência na segunda-feira em tribunal russo (18/11)

A informação foi divulgada pela própria organização em nota no Twitter e no seu site oficial. De acordo com a agência de notícias EFE, o valor da fiança imposto a Ana Paula Maciel é de dois milhões de rublos - o equivalente a R$ 138 mil.

Segundo o grupo ambientalista, a brasileira foi a primeira pessoa estrangeira a ser solta pelas autoridades russas. Ela está presa em São Petersburgo, junto com outros 29 ativistas, desde o dia 19 de setembro, quando o Greenpeace realizou um protesto no mar contra a exploração de petróleo no Ártico.

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O tribunal de São Petersburgo já decidiu sobre a situação de cinco, dos 30 presos. A decisão deve sair até o fim da semana, já que o prazo da prisão preventiva expira na próxima sexta-feira. Outros três ativistas de nacionalidade russa - Denis Sinyakov (fotógrafo), Ekaterina Zaspa (médica) e Andrey Allakhverdov (ativista ) - haviam sido soltos, sob pagamento de fiança.

Um quinto ativista, o australiano Colin Rusell, teve sua prisão preventiva estendida por mais três meses - acatando pedido feito pelas autoridades investigativas russas a todos os casos.

Vandalismo e pirataria

Em nota, o Greenpeace cita a mãe de Ana Paula, Rosangela Maciel, que diz que sua filha está sendo "acusada injustamente". "Esta é a mais bela notícia que eu recebo nos últimos dois meses, mas a Justiça só será feita quando todas as acusações absurdas forem derrubadas", disse Rosangela Maciel, segundo a nota.

Navio Arctic Sunrise, de bandeira holandesa
Reuters
Navio Arctic Sunrise, de bandeira holandesa

O Greenpeace diz aguardar mais detalhes do tribunal russo sobre as condições de liberdade condicional. Ainda não se sabe se Ana Paula poderá deixar o país ou receber visitas.

O navio do Greenpeace foi capturado por forças de segurança russas depois que membros de sua tripulação tentaram escalar uma plataforma de petróleo para impedir a exploração de petróleo no Ártico.

As acusações variam de vandalismo a pirataria. No mês passado, 11 vencedores do prêmio Nobel escreveram ao presidente russo, Vladimir Putin, pedindo que as acusações de pirataria - consideradas duras demais - fossem retiradas.

"O pedido de fiança ter sido aceito para alguns de nossos amigos foi uma ótima notícia. Mas só vamos celebrar quando todos estiverem livres para voltar para casa e quando suas acusações forem retiradas", diz nesta terça-feira o diretor executivo do Greenpeace Internacional,Mads Christensen.

"Mesmo em liberdade, eles continuam suspeitos de vandalismo, e a acusação de pirataria ainda não foi retirada oficialmente. Ainda que seja óbvio que nenhum deles é pirata ou vândalo, todos ainda têm a possibilidade de passar 20 anos numa cadeia."

Os 28 ativistas e dois jornalistas presos são de diversas nacionalidades: Argentina, Rússia, Estados Unidos, Canadá, Itália, Ucrânia, Nova Zelândia, Holanda, Dinamarca, Austrália, Brasil, República Checa, Polônia, Turquia, Finlândia, Suécia e França.

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