Filipinas tem só três agentes funerários para identificar centenas de corpos

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Funcionários lidam com 15 mortos por hora entre fotos e descrições; vítimas fatais do tufão Haiyan chegam a 3.900

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Agentes funerários coletam informações para o reconhecimento de 700 corpos em Tacloban

Três agentes funerários encontravam dificuldades nesta segunda-feira para identificar centenas de corpos em rápida decomposição em uma vala comum, vítimas do pior tufão já registrado. A dificuldade ilustra a escala da tarefa que as autoridades filipinas enfrentam na cidade de Tacloban, duramente afetada.

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 Vídeo mostra tufão devastando casa em poucos segundos nas Filipinas

Acredita-se que mais de 3.900 pessoas morreram quando o tufão Haiyan tocou a terra no centro das Filipinas, em 8 de novembro, e o mar avançou nas áreas costeiras, como um tsunami. Os patologistas da Universidade das Filipinas trabalhavam com três agentes funerários para identificar corpos esparramados na lama na beira da vala no anoitecer, mas ainda sob a luz do sol.

Veja imagens das Filipinas após o tufão Haiyan:

Residentes se amontoam para receber tratamento e suprimentos no aeroporto de Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: APResidentes se amontoam para receber tratamento e suprimentos no aeroporto de Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: APRecém-nascido Bea Joy é carregado enquanto a mãe Emily Ortega, 21 anos, descansa após ter dado à luz em hospital improvisado no aeroporto de Tacloban (11/11). Foto: APSobreviventes carregam sacos de arroz de um armazém atingido pelo tufão Haiyan em Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: APSobreviventes caminham por entre os destroços provocados pelo tufão Haiyan em Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: APSobreviventes cobrem seus narizes por causa do cheiro da putrefação dos corpos nas ruas após a passagem de um tufão na cidade de Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: APTufão pode ter matado mais de 10 mil nas Filipinas (10/11). Foto: APMorador observa causas danificadas pelo tufão Haiyan em Tacloban, província de Leyte, Filipinas (10/11). Foto: APCasas destruídas em Tacloban, na província de Leyte, Filipinas (10/11). Foto: APUma casa é atingida pela tempestade trazida pelo poderoso tufão Haiyan na cidade de Legazpi (8/11). Foto: APFuncionários avaliam estrago depois que árvore de Natal gigante foi derrubada por fortes ventos do tufão Haiyan em Cebu, Filipinas (8/11). Foto: APMoradores caminham no litoral em meio a uma tempestade provocada pelo poderoso tufão Haiyan na cidade de Legazpi, Filipinas (8/11). Foto: APImagem fornecida pela NOAA mostra o tufão Haiyan enquanto atravessa e arrasa Filipinas (8/11). Foto: APMoradores tentam liberar rodovia após ventos do tufão Haiyan derrubarem árvores na província de Cebu, nas Filipinas (8/11). Foto: APResidentes limpam uma estrada depois que árvores foram derrubadas com os ventos do tufão Haiyan que atingiu a província de Cebu, Filipinas (8/11). Foto: AP

Nesta segunda-feira, dez dias depois do desastre, pela primeira vez teve início o meticuloso processo de identificação dos corpos inchados e em decomposição na fossa comum, o principal local para onde foram levados aqueles retirados dos escombros de Tacloban.

A identificação é especialmente importante para os católicos romanos, religião predominante no país. Ao revirar os corpos, os patologistas tiram fotos e anotam características, dimensões e outros detalhes, como roupas, joias e celulares. Eles trabalham a um ritmo de 15 corpos por hora desde o nascer do sol até o anoitecer, sem proteção contra o sol escaldante.

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Com mais de 300 corpos levados para o local desde domingo, a patologista Raquel del Rosario-Fortun disse que será impossível identificar todas as vítimas sem mais funcionários e instalações. Ela fez um apelo ao prefeito de Tacloban, Alfred Romualdez, que visitava o local, para que providencie mais ajuda.

"Na verdade, tudo é muito difícil considerando os recursos que temos", disse ela. "Há somente alguns de nós agora. O fato e que nós apenas queremos dar início a um sistema. E esperamos que isso prossiga. A ideia é tentar e examinar todos os corpos aqui, e não apenas jogá-los em uma vala comum."

Romualdez disse à Reuters que está irritado com a velocidade da resposta do governo central à tempestade e que sua cidade não dispõe de instalações e especialistas para ações como a identificação de corpos.

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"Está sendo muito lento", afirmou ele. "É um processo que não foi estudado ou pensado... Todos os anos nós somos atingidos por fortes tufões. Tem que haver um padrão para isso. Já é hora de o governo se preparar para as próximas tempestades."

Ao lado da cova, algumas pessoas descarregavam do alto de uma van um caixão feito de material de entulho e seguiam para o cemitério para colocá-lo em um buraco estreito em uma parede de concreto. As pessoas que acompanhavam o cortejo disseram que o homem havia levado cinco tiros, mas não explicaram o motivo.

A tensão é grande em Tacloban, já que moradores vêm realizando saques e brigando por suprimentos.

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