Chefe rebelde da Síria morre e forças de Assad bombardeiam cidade

Por Reuters |

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Após sofrerem muitas derrotas no começo da guerra civil síria, que teve início em 2011 e já matou 100 mil pessoas, as forças de Assad assumiram a ofensiva neste ano

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ASSOCIATED PRESSAP
As pessoas andam em uma rua entre os edifícios destruídos na cidade de Hejeir, perto de Damasco

As forças do presidente Bashar al Assad usaram nesta segunda-feira (18) foguetes e artilharia contra uma cidade sitiada próxima ao Líbano, numa tentativa de capturar uma região estratégica depois de avanços contra os rebeldes em Damasco e no norte da Síria.

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Em outro revés para os rebeldes, um importante líder militar rebelde morreu durante a madrugada em um hospital da Turquia em decorrência de ferimentos sofridos durante um bombardeio aéreo contra a cidade síria de Aleppo. Abdelqader Saleh, líder das Brigadas Al Tawhid, milícia sunita apoiada pelo Catar, vinha se empenhando em reagrupar os combatentes rebeldes nessa cidade, a maior da Síria.

O Tawhid anunciou em nota a morte de seu líder. Fontes locais descreveram Saleh, um ex-comerciante, como uma figura popular e um muçulmano moderado, que havia tentado conciliar outros grupos rebeldes com a facção islâmica Estado Islâmico no Iraque e no Levante, uma "filial" local da Al Qaeda.

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Um ativista de oposição em Aleppo disse, sob anonimato, que Saleh "era um islamita moderado carismático, com popularidade em Aleppo". Por isso, "sua morte será um presente" para o Estado Islâmico. Outro grupo oposicionista, a Comissão Geral da Revolução Síria, disse que houve intensos combates na segunda-feira no bairro de Suleiman al Halabi, em Aleppo, onde quatro soldados do governo foram mortos.

Os relatos do campo de batalha são difíceis de verificar, porque o acesso às frentes de combate é restrito e perigoso. Violentos bombardeios também atingiram Qara, 80 quilômetros ao norte de Damasco, nos montes Qalamoun, enquanto os rebeldes se escondiam no terreno rochoso, segundo refugiados e fontes da oposição. Essa região, próxima à rodovia que liga Damasco a Aleppo, vem sendo usada por rebeldes que se infiltram do Líbano no país.

O Conselho Dinamarquês para Refugiados, que opera na fronteira entre Síria e Líbano, disse que estimativas preliminares indicam que 10 a 12 mil sírios fugiram dos bombardeios desde sexta-feira. Centenas deles faziam fila sob a garoa gelada na segunda-feira na localidade fronteiriça libanesa de Arsal. A imposição do controle sobre a área ajudaria o governo a conectar Damasco à costa mediterrânea, o que pode ser uma rota importante para a retirada de armas químicas da Síria, conforme um acordo firmado em outubro.

Após sofrerem muitas derrotas no começo da guerra civil síria, que teve início em 2011 e já matou 100 mil pessoas, as forças de Assad assumiram a ofensiva neste ano. Além disso, a situação diplomática do presidente melhorou significativamente desde que EUA e Rússia selaram o acordo para a eliminação do arsenal químico sírio, evitando assim uma ação militar norte-americana.

Há apenas um ano, governos ocidentais previam que Assad seria rapidamente derrubado. Agora, os rebeldes na prática já perderam as esperanças de que possam ser ajudados por ações aéreas ocidentais, como a operação da Otan que derrubou o regime de Muammar Gaddafi na Líbia em 2011.

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