Filipinos lotam igrejas para a primeira missa de domingo desde que o tufão Haiyan deixou 3.974 mortos

O presidente das Filipinas, Benigno Aquino 3º, disse neste domingo (17) que ele vai permanecer na província de Leyte, a mais atingida pelo tufão, até que ele perceba que houve mais progresso no esforços humanitários após as reclamações de sobreviventes que ainda não receberam ajuda apropriada.

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Filipino reza durante missa na Igreja Santo Nino, que foi danificada pela passagem do tufão Haiyan em Tacloban
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Filipino reza durante missa na Igreja Santo Nino, que foi danificada pela passagem do tufão Haiyan em Tacloban

É esperado que Aquino monte acampamento em Tacloban, a capital da província, mas não ficou claro onde ele encontrará uma acomodação apropriada em meio as ruinas. Praticamente todos os prédios na cidade foram danificados ou destruídos pelo tufão Haiyan, que atravessou o país em 8 de novembro deixando 3.974 mortos, de acordo com a última contagem divulgada no domingo. A tempestade deixou 1,2 mil desaparecidos.

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Falando a repórteres durante uma visita para Tacloban, Aquino disse que apesar de ter havido certo progresso nos esforços humanitários, ainda não é o suficiente. Um grande esforço feito pela comunidade internacional, que doou suprimentos e mais de US$ 248 milhões, está começando a surtir efeitos.

"Queremos realmente facilitar o fardo de todo mundo o mais breve possível. Enquanto eu não ver melhoras, vamos continuar aqui", disse Aquino, se referindo à comitiva oficial que o acompanha.

Na manhã de hoje, milhares de filipinos, muitos sem-teto, lotaram dezenas de igrejas na região para a primeira missa de domingo desde o tufão. Mais de 80% dos 90 milhões de pessoas nas Filipinas são católicas, um legado da colônia espanhola.

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Alguns foram à igreja agradecer por terem sobrevivido, outros para rezar pelas almas que partiram. "Vir à missa dá às pessoas esperança de que as coisas vão melhorar", disse Marino Carintic.

Filipinos que vivem em toda a Ásia também rezaram pelos seus compatriotas. Em Hong Kong, onde moram 133 mil filipinos, voluntários do lado de fora de uma igreja estavam recolhendo alimentos, remédios, cobertores e roupas para enviar à região afetada. A maioria dos filipinos são trabalhadores domésticos mal pagos.

"Não podemos dar muito dinheiro, mas podemos ajudar rezando", disse Jovie Tamayo, 32 anos, que é da província central de Iloilo. O telhado da casa de sua família foi arrancado com a tempestade, mas ninguém ficou ferido.

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Chelly Ogania disse que não conseguiu entrar em contato com sua mãe e seus irmãos na Ilha Samar, onde o tufão tocou o solo filipino, embora ela tenha ouvido de amigos do vilarejo que eles estão a salvo.

"Rezamos para que eles estejam realmente a salvo, sempre rezamos", disse. "Essas são as coisas que podemos fazer, apenas rezar e confiar em Deus, porque eu estou muito longe deles. Nenhum contato, apenas rezando, rezando."

Com AP

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