Com favoritismo de Bachelet, chilenos votam para presidente neste domingo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Pela primeira vez no país, o voto é facultativo; um dos principais temas é educação, que causou protestos

Cerca de nove milhões de chilenos devem votar neste domingo em uma eleição presidencial onde a socialista e ex-mandatária Michelle Bachelet possui ampla vantagem para retornar ao poder com uma ambiciosa agenda de reforma social.

Conheça a nova home do Último Segundo

AP
Ex-presidente do Chile Michelle Bachelet deposita seu voto durante as eleições gerais em Santiago

Bachelet, que governou o país entre 2006 e 2010, aparece em algumas pesquisas com apoio suficiente para vencer no primeiro turno. Outras pesquisas sugerem que ela seria obrigada a disputar um segundo turno em dezembro, onde se elegeria.

Uma incógnita dessas eleições diz respeito a quantos chilenos em idade de votar irão às urnas. Pela primeira vez, o voto não é obrigatório. Além de presidente (no Chile não há vice), os chilenos escolherão deputados federais e senadores. Bachelet dedicou boa parte de sua campanha para convencer os chilenos a votarem: ela pode ter a vitória assegurada, mas precisa conseguir o maior número possível de votos no Congresso, se quiser cumprir as promessas feitas.

Perfil: Saiba quem são os candidatos que disputam a Presidência do Chile

Novidades: Abstenção e força de Bachelet são chave em eleição no Chile

Existem muitas dúvidas em relação ao futuro no país: desde os protestos estudantis de 2011, os chilenos mostraram que querem mudanças mais profundas, além da estabilidade política e econômica, conquistada nas últimas duas décadas.

"Avançamos muito nas últimas duas décadas, mas existem muitos sinais de que o ciclo, que inauguramos com o fim da ditadura, está chegando ao fim", disse, em entrevista à Agência Brasil, o analista político Ernesto Ottone. “Recuperamos a democracia, promovemos o crescimento econômico e reduzimos drasticamente a pobreza. Não há inflação e o desemprego é baixo. Mas o Chile ainda é um país com altos índices de desigualdade social e a classe média agora tem mais expectativas. Um exemplo foi o movimento estudantil, que colocou milhares de jovens nas ruas em 2011, exigindo educação gratuita e de qualidade para todos”.

Pontos comuns: Chile debate temas que também preocupam Brasil

Pesquisa: Bachelet aumenta vantagem sobre candidata de direita no Chile

Bachelet sobre eleições: 'O Chile mudou e ficou mais exigente'

O problema é que o novo governo, seja ele qual for, não poderá avançar muito, sem reformar a Constituição. A atual, herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), limita a atuação dos políticos: nenhuma reforma profunda pode ser realizada sem um consenso. Pelo atual sistema eleitoral chileno, o presidente eleito só terá maioria no Congresso se seus candidatos a deputado e a senador dobrarem os votos do concorrente.

"Foi um sistema desenhado para promover um empate entre dois blocos, de esquerda e de direita. Então, não importa se você escolheu um candidato de esquerda, por causa de suas promessas. Ele só pode fazer o que prometeu se negociar com a direita, e o resultado acaba sendo algo intermediário, que deixa a todos insatisfeitos", explicou a prefeita de Santiago, Carolina Toha, aliada de Bachelet.

Em março: Michelle Bachelet volta ao Chile para disputar eleição presidencial

AP
Candidata presidencial Evelyn Matthei deposita seu voto na urna em Santiago, Chile

Mas até Rolf Luders, que foi ministro da Economia na ditadura, concorda que esse sistema já não funciona, porque hoje em dia os chilenos já não acreditam nos políticos – não importa o partido.

Um dos temas principais dessa campanha é a reforma educacional. No Chile, todas as universidades são pagas e caras. Os estudantes pedem educação gratuita e de qualidade para todos. Atualmente, quem quer ter uma carreira universitária e não tem dinheiro precisa pedir um crédito, o qual levará dez anos para ser pago.

Outros temas da campanha são a estatização da água e do cobre, ambos privatizados na ditadura militar, além de uma reforma tributária e a reforma da Constituição.

Com Reuters e Agência Brasil

Leia tudo sobre: eleições no chilechile

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas