Sobreviventes de tufão relatam momentos de horror e temem por futuro

Por BBC | - Atualizada às

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Além de lutar pelo acesso a produtos , como água e comida, sobreviventes buscam por parentes desaparecidos

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Dois dias após o supertufão que devastou as Filipinas, causando até 10 mil mortes, sobreviventes relatam momentos de horror que viveram tentado se salvar e como ainda temem por sua sobrevivência.

Faith Pelies, de Tacloban, a cidade mais afetada pelo tufão Haiyan, conta como reagiu quando viu a água subindo.

Tufão Haiyan pode ter matado mais de 10 mil pessoas nas Filipinas

Residentes se amontoam para receber tratamento e suprimentos no aeroporto de Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: APResidentes se amontoam para receber tratamento e suprimentos no aeroporto de Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: APRecém-nascido Bea Joy é carregado enquanto a mãe Emily Ortega, 21 anos, descansa após ter dado à luz em hospital improvisado no aeroporto de Tacloban (11/11). Foto: APSobreviventes carregam sacos de arroz de um armazém atingido pelo tufão Haiyan em Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: APSobreviventes caminham por entre os destroços provocados pelo tufão Haiyan em Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: APSobreviventes cobrem seus narizes por causa do cheiro da putrefação dos corpos nas ruas após a passagem de um tufão na cidade de Tacloban, Filipinas (11/11). Foto: APTufão pode ter matado mais de 10 mil nas Filipinas (10/11). Foto: APMorador observa causas danificadas pelo tufão Haiyan em Tacloban, província de Leyte, Filipinas (10/11). Foto: APCasas destruídas em Tacloban, na província de Leyte, Filipinas (10/11). Foto: APUma casa é atingida pela tempestade trazida pelo poderoso tufão Haiyan na cidade de Legazpi (8/11). Foto: APFuncionários avaliam estrago depois que árvore de Natal gigante foi derrubada por fortes ventos do tufão Haiyan em Cebu, Filipinas (8/11). Foto: APMoradores caminham no litoral em meio a uma tempestade provocada pelo poderoso tufão Haiyan na cidade de Legazpi, Filipinas (8/11). Foto: APImagem fornecida pela NOAA mostra o tufão Haiyan enquanto atravessa e arrasa Filipinas (8/11). Foto: APMoradores tentam liberar rodovia após ventos do tufão Haiyan derrubarem árvores na província de Cebu, nas Filipinas (8/11). Foto: APResidentes limpam uma estrada depois que árvores foram derrubadas com os ventos do tufão Haiyan que atingiu a província de Cebu, Filipinas (8/11). Foto: AP

"Eu não sei nadar, mas meu marido, sim. Então lhe pedi que salvasse nosso bebê e que esquecesse de mim. Que fizesse o que era preciso, e que eu lhe entenderia", relembra ela com o filho nos braços.

"Precisamos de arroz, mas não temos água para cozinhar esse arroz", acrescentou.

Jeannette Bacsal ainda não sabe como está viva.

"Meu pai sabe nadar, mas eu não. Por isso me sinto abençoada por ter sobrevivido".

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Já Jenny Dela Cruz, também de Tacloban, não sabe o que fará daqui pra frente.

Onze membros de sua família morreram, incluindo sua filha de dois anos. Ela está grávida de oito meses.

"Não consigo pensar, não sei o que fazer. Por enquanto, o que posso fazer é sobreviver por hoje, mas não sei o que vai acontecer comigo amanhã ou depois de amanhã", diz ela, com o olhar perdido.

Edgar Boco, prefeito da cidade de Hernani, na ilha de Samar, diz que 75 corpos foram enterrados em uma cova coletiva.

"Esse número ainda vai crescer porque não conseguimos chegar às cidades vizinhas, não há transporte".

Além de lutar pelo acesso a produtos básicos, como água e comida, sobreviventes buscam desesperadamente por notícias de parentes que moram em outras cidades.

Em Cebu, Sandra Conception disse que soube que sua mãe, que mora na vizinha Ormoc, havia sobrevivido graças à ajuda de um amigo. No entanto, ainda não conseguiu falar com ela.

"Não tenho notícias do que aconteceu em Ormoc. Para mim é terrível não saber nada. Alguns amigos mandaram mensagens pelo celular, contando que se esconderam em armários, enquanto os tetos de suas casas saíam voando. A casa da minha mãe teve janelas e portas quebradas e ela se escondeu no banheiro".

Neste domingo o papa Francisco pediu que mais ajuda seja enviada às Filipinas, que tem uma grande população católica.

"Infelizmente há muitas vítimas e os estragos são enormes. Vamos tentar fornecer ajuda concreta", disse Francisco.

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