'Não houve acordo com o Irã até o momento', diz secretário de Estado dos EUA

Por iG São Paulo |

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John Kerry afirmou que diversos pontos seguem sem solução; Rússia expressa otimismo sobre acordo com país

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, fez um alerta nesta sexta-feira (8) sobre as diferenças entre o Irã e as seis potências que tentam elaborar um acordo com o país para colocar fim ao impasse sobre seu programa nuclear. A Rússia, entretanto, expressou otimismo em relação às negociações.

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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, conversa com a imprensa durante sua chegada a Genebra, Suíça

Autoridades reportaram progresso nos diálogos de quinta-feira (7). Mas os comentários de Kerry e seus colegas do Reino Unido, França e Alemanha após sua chegada a Genebra claramente indicaram que os obstáculos continuam.

As agências de notícias russas informaram na noite de sexta que o chanceler Sergei Lavrov se uniria a Kerry e aos ministros europeus em Genebra no sábado. Um diplomata ocidental em Genebra afirmou à AP que a China está enviando o vice-chanceler para a rodada de negociações.

O vice-chanceler russo Sergei Ryabkov disse que a Rússia espera que as negociações estabeleçam "um resultado duradouro pela comunidade internacional".

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O comunicado russo sugeriu um possível estreitamento das diferenças, horas depois que Kerry se encontrou com seus colegas europeus, e com o chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif e com Catherine Ashton, a principal enviada da União Europeia.

Kerry chegou de Tel Aviv depois de encontrar o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, durante o qual Kerry tentou diminuir as preocupações de Israel sobre os diálogos de Genebra. Israel se opõe duramente a qualquer acordo que suspensa as sanções econômicas ao Irã, ao menos que o país suspenda totalmente sua capacidade para fazer armas nucleares.

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O Irã insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas os EUA e seus aliados temem que o país possa estar reunindo capacidade para desenvolver uma bomba atômica. Kerry disse que havia "várias questões muito importantes que ainda não foram solucionadas". Ele afirmou a repórteres que "não há um acordo nesse momento".

Essa é a segunda rodada de negociações este ano entre seis potências mundiais - EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha - e o Irã. Segundo autoridades, os EUA esperam estabeçecer um entendimento inicial que impeça o programa nuclear do Irã de avançar e que o mesmo retroceda pela primeira vez em décadas.

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Por diversas vezes, entretanto, líderes de Israel fizeram um alerta de que não aceitariam qualquer acordo parcial. Uma autoridade disse que Israel tomou conhecimento de uma proposta sob a qual o Irã cessaria todo o enriquecimento de urânio a 20% - um passo para conquistar capacidade para produzir armas nucleares - e diminuiria o ritmo de trabalho do reator em Arak.

Em troca, segundo disse a autoridade isralense, as sanções econômicas contra o Irã seriam reduzidas. "Israel acredita que esse seja um mau acordo e vai se opor fortemente à sua implementação", disse.

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O Irã quer que as dolorosas sanções internacionais sejam suspensas em troca de possíveis concessões que, no passado, o país não estava disposto a considerar, como um aumento do monitoramento internacional em seu programa nuclear e a redução do nível de enriquecimento de seu urânio - uma forma potencial de produzir armas nucleares e o centro de um impasse com o Ocidente.

Negociações internacionais para reduzir os temores de que o Irã estaria interessado em fabricar armas atômicas estão paralisadas há mais de 10 anos, com Teerã insistindo que sua produção é pacífica.

Mas o diálogo aparentemente tomou um novo rumo desde que o presidente reformista Hassan Rouhani foi eleito no Irã em junho.

Com AP

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