Artigo: Diálogo com Irã indica que EUA não aprenderam a entender Oriente Médio

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel* | - Atualizada às

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Potências realizam em Genebra segunda rodada de diálogos para resolver impasse sobre programa nuclear

Com frequência, ouvimos comentaristas dizerem que os americanos não aprenderam a entender o Oriente Médio. Na gestão de George W. Bush (2001-2009), os Estados Unidos resolveram punir o ditador iraquiano Sadan Hussein, que fazia horrores com a maioria xiita, em seu país. Seis dias depois do início do bombardeio contra o país, Bush anunciou a vitória.

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Ali Hamza se senta perto dos túmulos de seu irmão, Mohammed, e sua irmã, Asinat, que foram mortos em um ataque perto da escola onde estudavam em Qabak, Iraque (7/10)

Dez anos mais tarde, a tropa americana de aliados deixava o Iraque, sem ter resolvido nada em definitivo. Até hoje, os sunitas, a seita muçulmana majoritária que representa a prática da religião segundo o profeta Maomé, e os xiitas, maioria no Iraque, continuam se matando.

Enquanto escrevo, realiza-se em Genebra a reunião entre as cinco potências com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha e uma importante delegação do Irã. A previsão é que o iranianos aceitem a proposta imaginada pelos americanos, que implicaria em uma redução das sanções impostas a Teerã durante seis meses. Em troca, os persas suspenderiam quaisquer ações que visassem ao enriquecimento de urânio além de 20%, a ponto de poder ter combustível para bomba atômica.

Posteriormente, se comprovada a aplicação do projeto pelos iranianos, isto é, suspensão provada dos trabalhos para produzir a bomba atômica, as sanções iriam ser reduzidas, até normalizar as relações do país com o resto do mundo. O Irã enfrenta crise de falta de tudo. Tem perdido milhões de dólares por mês, por não conseguir colocar seu petróleo no mercado. Está em uma situação em que não poderia rejeitar a proposta americana sob o risco de reações do povo contra o status quo.

Os israelenses consideram que a proposta foi um erro. A “Lenda da Tartaruga e do Escorpião”, contada aqui há semanas, bem expressa a situação presente na região. Israel e outras nações, como a Arábia Saudita, maior e mais rico país sunita do mundo, não confiam no Irã.

Os sauditas, mais cautelosos, não o declaram, mas os israelenses persistem na opinião que têm. Seis meses é tempo suficiente para que o Irã, com seu conhecido “jogo de corpo”, teste a bomba e se transforme em um poder atômico.

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Visão geral mostra participantes das reuniões a portas fechadas nas Nações Unidas em Genebra, Suíça

Além de Israel, um aliado para todos os momentos, os EUA, forneciam ajuda militar e facildade econômica ao Egito e à Jordânia. Hosni Mubarak, ditador egípcio moderado e inteligente, foi derrubado e continua detido em algum lugar de seu país. Uma revolta popular mostrou um país divido entre seguidores da Irmandade Muçulmana e Islamistas lights.

No momento, há governo interino, militar, politicamente instável. Enfrentando, inclusive, forte presença da Al-Qaeda no Sinai, fronteira com o sul israelense.

É sabido que Israel empenhou-se para que os Estados Unidos mantivessem apoio ao Egito, que foi suspenso. Na hora de maior necessidade, a ditadura é inaceitável aos olhos do Senado e do Departamento de Estado americanos. Foi um erro político-estratégico. O mundo árabe todo não esquecerá.

Agora, com a proposta feita pelos americanos ao Irã, muitos países árabes pensam como a Arábia Saudita.

*Colaborou Nelson Burd

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