Autor de ataque a Malala é nomeado novo líder do Taleban do Paquistão

Por iG São Paulo |

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Mulá Fazlullah substituiu Hakimullah Mehsud, morto em um ataque de avião não tripulado dos Estados Unidos

O Taleban do Paquistão escolheu o comandante que planejou o ataque a ativista adolescente Malala Yousafzai como o novo líder do grupo militante, e descartou manter diálogos de paz com o governo.

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AP
Malala Yousufzai lê um livro enquanto se recupera no hospital Queen Elizabeth, no Reino Unido (foto de arquivo)

O mulá Fazlullah foi indicado como novo líder pelo conselho de liderança do Taleban, a shura, após dias de deliberação, segundo Asmatullah Shaheen Bhitani. Militantes dispararam para o ar com fuzis AK-47 em comemoração.

A decisão veio menos de uma semana depois que um ataque de avião não tripulado (drone) dos EUA matou o líder Hakimullah Mehsud no Waziristão do Norte perto da fronteira com o Afeganistão.

Embora Mehsud tenha sido responsabilizado pelas mortes de milhares de paquistaneses e tropas de segurança, seu assassinato em 1º e novembro provocou a indignação das autoridades palestinas. Eles acusaram os EUA de sabotar as tentativas do governo de alcançar um acordo de paz com os militantes - embora muitos analistas duvidassem que tal aliança fosse provável.

O governo disse que o ataque com drone ocorreu um dia antes que eles planejaram enviar uma delegação de clérigos para convidar formalmente o Taleban do Paquistão para negociações de paz.

Bhitani, o líder da shura do Taleban, descartou realizar diálogos de paz com o governo, acusando o primeiro-ministro Nawaz Sharif de oferecer a cabeça do grupo quando se encontrou com o presidente dos EUA, Barack Obama, em Washington em 23 de outubro.

"Vamos nos vingar do Paquistão pelo martírio de Hakimullah", disse Bhitani a agência Associated Press por telefone.

Fazlullah foi líder do Taleban paquistanês no Vale Swat, mas acredita-se que hoje ele esteja escondido no Afeganistão. Ele se tornou conhecido através de transmissões de rádio exigindo a imposição de uma rígida linha do islamismo, que lhe rendeu o apelido "Mulá Rádio".

Seu grupo começou a se infiltrar no vale em 2007 e espalhar medo entre os residentes decapitando opositores, explodindo escolas e forçando os homens a deixar suas barbas crescerem, além de proibir que mulheres fossem aos mercados. Uma ofensiva militar em 2009 expulsou o grupo do lugar, e Fazlullah fugiu para o Afeganistão.

Fazlullah e seu grupo realizaram o ataque contra a ativista adolescente Malala Yousufzai, que foi atingida por um tiro na cabeça enquanto voltava da escola em outubro de 2012. Ela foi atacada depois de falar contra o Taleban sobre a interpretação que o grupo fazia do Islã, limitando o acesso das garotas à educação.

O ataque provocou indignação mundial. Malala foi levada ao Reino Unido, onde foi submetida a cirurgias para reparar os danos feitos ao seu crânio. Ela se tornou uma crítica ferrenha ao Taleban e uma defensora do direito à educação, conquistando prêmios internacionais. Ela fez um discurso nas Nações Unidas e era considerada favorita a levar o Prêmio Nobel da Paz este ano.

Com AP

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