Palestino Yasser Arafat pode ter sido envenenado com polônio, diz relatório

Por iG São Paulo |

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Resultados de testes forenses obtidos pela Al-Jazeera identificam nível de polônio 18 vezes maior que normal

Os primeiros testes forenses realizados no corpo exumado de Yasser Arafat mostraram altos níveis de polônio radioativo, sugerindo que o líder palestinos pode ter sido envenenado com a rara e letal substância.

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AP
Líder palestino Yasser Arafat morreu em 11 de novembro de 2004 (foto de arquivo)

Os cientistas suíços que examinaram os restos mortais do corpo em novembro descobriram níveis de polônio até ao menos 18 vezes mais altos que o normal na região da costela e da pélvis de Arafat, bem como no solo que absorveu os fluidos de seu corpo.

O relatório da equipe forense foi entregue a representantes da viúva de Arafat, Suha Arafat, bem como a representantes da Autoridade Nacional Palestina (ANP) nesta terça-feira. Uma cópia do relatório foi obtida com exclusividade pela rede Al-Jazeera, que compartilhou com o britânico The Guardian a sua publicação.

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O relatório afirma que mesmo levando em consideração os oito anos desde a morte de Arafat e a qualidade das amostras tomadas a partir de fragmentos de ossos e tecidos retirados de seu cadáver em decomposição, os resultados "moderadamente apoiam a proposição de que a morte foi consequência de envenenamento com polônio-210".

"Estamos revelando um verdadeiro crime, um assassinato político. Isso confirmou todas as nossas dúvidas", disse Suha, que se reuniu com membros da equipe forense suíça em Genebra na terça-feira (5). "Está cientificamente provado que ele não morreu de morte natural, e temos a prova científica de que este homem foi assassinado."

Ela não acusou qualquer país ou pessoa, e reconheceu que o líder histórico da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tinha muitos inimigos.

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Arafat assinou os acordos interinos de paz com Israel em Oslo em 1993 e liderou uma revolta posterior, após o fracasso das negociações, em 2000, sobre um acordo definitivo.

Ele tinha inimigos entre seu próprio povo, mas muitos palestinos acusam Israel, que cercou o líder palestino em seu quartel-general em Ramallah pelos dois últimos anos e meio de sua vida. O governo israelense nega qualquer participação na morte, observando que ele tinha 75 anos e não tinha um estilo de vida saudável.

Uma investigação feita pela emissora Al-Jazeera revelou no ano passado que traços de polônio-210 foram encontrados em objetos pessoais de Arafat dados a sua viúva pelo hospital militar francês onde ele morreu.

A denúncia levou os promotores franceses a abrir uma investigação por suspeita de assassinato em agosto de 2012, a pedido de Suha. Legistas da Suíça, Rússia e França recolheram amostras do cadáver de Arafat para realizar testes, depois de receberem autorização da ANP.

Com Reuters

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