Bangladesh sentencia 152 guardas à morte por motim em 2009

Por AP |

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Condenação em massa foi criticada pela Human Rights Watch; revolta contra comandantes matou 74 em Daca

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Um tribunal de Bangladesh sentenciou 152 pessoas à morte nesta terça-feira (5) devido a um motim de guardas descontentes realizado em 2009 que matou comandantes militares durante dois dias de revolta.

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Guardas de fronteira algemados chegam à corte especial em Dhaka, Bangladesh

As sentenças foram anunciadas após um julgamento em massa envolvendo 846 réus - um processo criticado por um grupo de direitos humanos que afirmaram que o processo não poedria ser considerado crível, uma vez que ao menos 47 suspeitos morreram quando estavam sob custódia.

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Os guardas de fronteira, conhecidos na ocasião do motim como os Rifles de Bangladesh, disseram ter se revoltado exigindo salários condizentes com o de seus comandantes no Exército; melhor estrutura e equipamentos e atribuições em missões de paz da ONU, que sempre vêm com regalias generosas.

O motim teve início no complexo de Daca, um oásis dentro da cidade. Ao fim da insurreição, 74 pessoas morreram, incluindo 57 comandantes militares. Corpos foram encontrados em bueiros e queimados em valas comuns.

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O caso expôs as profundas tensões entre o governo e o Exército. Na época, os militares ficaram furiosos com o primeiro-ministro Sheikh Hasina por negociar com os revoltosos em vez de permitir um ataque armado. Em Bangladesh, país muito pobre da Ásia com um longo histórico de catástrofes, líderes do Exército tentaram derrubar o governo 21 vezes, tendo sucesso em duas delas.

O juiz do Tribunal Metropolitano de Daca, Md Akhtaruzzaman, anunciou os veredictos em uma corte abarrotada de espectadores e sob forte segurança. Além das sentenças de morte, 161 pessoas foram condenadas à prisão perpétua, 256 receberam penas entre três e 10 anos e 277 foram inocentados.

O major general Aziz Ahmed, comandante geral dos guardas de fronteira de Bangladesh, disse que estava satisfeito com o resultado. "Foi um enorme massacre. Estamos felizes que a justiça foi feita", disse. A defesa prometeu entrar com recurso.

A Human Rights Watch, grupo com base em Nova York, criticou o processo legal e pediu por um novo julgamento. O grupo disse que ao menos 47 suspeitos morreram enquanto estavam sob custódia e os acusados tiveram acesso limitado aos seus advogados.

"Julgar centenas de pessoas em massa em um processo gigantesco, no qual os acusados têm pouco ou nenhum acesso aos advogados é uma afronta aos padrões legais internacionais", disse Brad Adams, diretor para a Ásia da Human Rights Watch em comunicado publicado em 29 de outubro.

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