Pessoas de 71 países diferentes queriam pagar para fazer sexo virtual com 'Sweetie', menina criada digitalmente

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Contando com a ajuda de uma menina filipina de 10 anos criada digitalmente, ativistas holandeses defensores dos direitos das crianças transformaram predadores sexuais em presas. Em uma operação online a partir do escritório do grupo em um parque industrial de Amsterdam, ativistas da Terre des Hommes (Terra dos Homens, em tradução livre) buscaram avaliar a dimensão de um fenômeno na internet que o grupo chama de "turismo sexual infantil pela webcam".

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Sweetie foi desenvolvida em computador para servir como isca para identificar pedófilos na internet
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Sweetie foi desenvolvida em computador para servir como isca para identificar pedófilos na internet

O resultado foi chocante, segundo o dirtor de projetos do grupo, Has Guyt, afirmou à Associated Press nesta segunda-feira (4) em seu pequeno escritório onde a Terre des Hommes usaram a menina criada em computador - apelidada de Sweetie - para desmascarar mil usuários de internet que, segundo eles, ofereceram dinheiro para ver a criança em atos sexuais diante da câmera.

"Se não intervirmos em breve, esse sinistro fenômeno ficará totalmente fora de controle", disse Guyt diante de uma parede coberta de fotos dos adultos enganados por Sweetie.

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Ele afirmou que fazer sexo virtual com menores - que normalmente envolve homens de países desenvolvidos do Ocidente pagando para ver crianças de países pobres em atos sexuais - ainda é uma "indústria caseira" e precisa ser erradicada imediatamente.

"Ainda não é tarde demais", disse Guyt. "O pior cenário é que aconteça o mesmo que aconteceu com a pronografia infantil - que hoje é uma indústria multibilionária que está nas mãos de grupos criminosos."

A Terre des Hommes publicou um documentário sobre sua investigação de 10 semanas no YouTube e deu início a uma petição para pressionar a polícia e os políticos a fazer mais para impedir essas atividades ilegais.

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"Precisamos de mais leis... a atual legislação é adequada e mais que suficiente para acobertar tais atos", disse Guyt.

A abordagem da Terre des Hommes envolveu o uso de Sweetie como um disfarce online para um grupo de pesquisadores que então começou a conversar com potenciais clientes na internet. "Recebemos uma enxurrada de homens à procura de contato e à procura de atos sexuais", disse.

Durante uma demonstração na manhã desta segunda, um dos pesquisadores entrou em sala de bate papo público como Sweetie - identificando-a como uma filipina de dez anos. Segundos depois, várias caixas de diálogos apareceram em sua tela com pessoas usando pseudônimos e solicitando conversar com a "menina".

Guyt disse que a Terre des Hommes, por meio de técnicas básicas de pesquisa e sem usar hackers, conseguiu identificar mil adultos de 71 países que solicitaram ver Sweetie em atos sexuais. O grupo não identificou nenhum deles para a imprensa, mas passou os resultados da investigação para a Interpol.

O principal país de origem dos adultos identificados foi os EUA, com 254, seguido do Reino Unido, com 110 e a Índia com 103.

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