Secretário de Estado dos EUA admite que algumas espionagens foram 'longe demais'

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em videoconferência, John Kerry defende programas da NSA afirmando que impediram ataques terroristas

O secretário de Estado dos EUA defendeu os programas de espionagem dos EUA enquanto participava de uma videoconferência em Londres nesta quinta-feira (31), mas reconheceu que "sim, em alguns casos, (a espionagem) foi longe demais de forma inapropriada".

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AP
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, faz pronunciamento no Departamento de Estado em Washington (foto de arquivo)

Kerry, que estava em Washington, falou sobre as acusações de espionagem que irritaram líderes em todo o mundo. "Não há dúvidas de que o presidente e eu e outros no governo soubemos das coisas que vinham acontecendo, de muitas formas, em um piloto automático porque a tecnologia está lá, a capacidade esteve lá, durante um longo período de tempo, desde a Segunda Guerra Mundial até os anos difíceis da União Soviética e da Guerra Fria, e então, claro, o 11 de Setembro", disse.

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Dando exemplos de ataques terroristas, Kerry disse que "se vocês fossem capazes de interceptar (comunicações) e impedir (ataques) antes que acontecessem? Evitamos que aviões de guerra disparassem, que prédios explodissem, e que pessoas fossem assassinadas por que fomos capazes de saber dessas coisas antes do tempo planejado".

"Eu garanto a vocês, pessoas inocentes não estão sendo prejudicadas nesse processo, mas existe um esforço para tentar reunir informação. E sim, em alguns casos, foi longe demais de forma inapropriada."

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Kerry afirmou que o presidente dos EUA, Barack Obama, está determinado a tentar esclarecer a situação para a população e a fazer uma profunda revisão para que ninguém se sinta prejudicado com os programas de monitoramento americanos.

O secretário acrescentou que, embora em alguns momentos a vigilância tenha sido excessiva, alegações de que mais de 70 milhões de telefonemas foram monitorados na França eram um "exagero".

Os EUA enfrentam uma situação desconfortável com seus aliados desde a semana passada, quando novos vazamentos do ex-funcionário terceirizado da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, sigla em inglês) revelaram um suposto monitoramento em massa em países aliados, como França, Alemanha e Espanha.

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O episódio mais sensível foi a denúincia de que o telefone celular da chanceler alemã, Angela Merkel, foi grampeado por mais de dez anos. Em resposta, os EUA afirmaram que não estão monitorando e nem vão monitorar as comunicações da chanceler - mas não se referiram a atividades realizadas no passado.

Mais recentemente, houve novas revelações de que a NSA teria acessado os principais links de comunicação entre data centers do Google e Yahoo ao redor do mundo, obtendo acesso a centenas de milhões de contas de usuários.

Nesta sexta, de acordo com o Sydney Morning Herald, embaixadas australianas na Ásia espionaram países asiáticos como China, Indonésia, Cingapura, Tailândia e Vietn. A reportagem descreve um programa de inteligência chamado Stateroom, que envolve interceptação de rádio, telecomunicações e tráfego de internet usando equipamentos nas missões diplomáticas dos EUA, Reino Unido, Austrália e Canadá.

O Departamento de Relações Exteriores e Comerciais da Austrália se recusou a fazer comentários. O primeiro-ministro Tony Abbott disse que "todas as agências governamentais australianas, cada autoridade australiana opera dentro da lei".

Com agências internacionais

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