Para amenizar danos, secretário de Estado dos EUA viaja à Europa e Oriente Médio

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Kerry inicia neste fim de semana giro de nove dias para discutir conflito sírio, negociações com Irã e espionagem

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, vai fazer uma missão de "controle de danos" ao Oriente Médio e à Europa, onde a indignação atinge níveis elevados por causa das estratégias americanas para a Síria, Egito e Irã, bem como as atividades de espionagem dos EUA reveladas pelo ex-funcionário terceirizado da Agência Nacional de Segurança (NSA, sigla em inglês) Edward Snowden.

Conheça a nova home do Último Segundo

AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, faz pronunciamento durante coletiva em Kuala Lumpur, Malásia

Kerry deixará Washington neste fim de semana em direção à Arábia Saudita, Polônia, Israel, Palestina, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Argélia e Marrocos, informou o Departamento de Estado na noite de quinta-feira (31). Com as crescentes tensões entre os EUA e muitos dos seus aliados, o departamento reconheceu que ao menos partes da viagem de nove dias devem ser difíceis.

Na primeira parada, em Riyadh, Kerry vai se deparar com vários desacordos com os sauditas sobre a posição americana em relação ao conflito sírio, as negociações nucleares com o Irã e a decisão do presidente Barack Obama de suspender significante parte da assistência dos EUA ao Egito.

Protesto:
Arábia Saudita rejeita vaga do Conselho de Segurança da ONU
Arábia Saudita cancela discurso na ONU pela primeira vez na história

Autoridades sauditas de alto escalão expressaram frustração com a política para a Síria do governo Obama, apesar do objetivo comum de Washington e Riyadh de colocar um fim ao regime de Bashar al-Assad. Kerry reconheceu publicamente a decepção dos sauditas com o fato de Obama não ter seguido sua ameaça de punir Assad pelo uso de armas químias com ataques. A Árabia Saudita tem sido o principal fornecedor de assistência militar aos inimigos de Assad e quer que os EUA assumam um papel mais ativo, algo que a Casa Branca tem evitado.

Além disso, a Arábia Saudita tem assistido com receio às tentativas de reaproximação do governo americano com seu arqui-inimigo Irã e seu distanciamento do Egito após a derrubata do primeiro presidente eleito democraticamente no país, o islamita Mohammed Morsi.

Da Arábia Saudita, Kerry viajará para Varsóvia para discutir com autoridades polonesas sobre questões estratégicas, incluindo defesa de mísseis e os planos para a retirada da missão da Otan do Afeganistão no ano que vem.

Embora seja a única parada na Europa no roteiro de Kerry, a visita à Polônia deve dar destaque às recentes revelações sobre as supostas atividades de espionagem da NSA no continente e em outras partes do mundo. A questão é particularmente sensível na Alemanha, onde autoridades estão furiosas pelas escutas realizadas no celular da chanceler Angela Merkel.

Mais sobre Snowden:
Alemanha: Merkel cobra explicações de Obama sobre suposta espionagem
70 milhões: Telefones da França foram alvo de espionagem dos EUA
Anfitrião: Reino Unido espionou autoridades do G20 em 2009

Da Polônia, o secretário voltará ao Oriente Médio, primeiro visitando Israel, e depois os territórios da Autoridade Nacional Palestina (ANP). A visita marcará a quinta passagem de Kerry em Israel desde abril.

Em Jerusalém e Belém, Kerry continuará com os esforços pelos diálogos de paz entre Israel e palestinos que acontecem sem sinais tangíveis de progresso desde julho, com uma meta de nove meses para se alcançar um acordo.

No início da semana, Israel anunciou a libertação de um segundo grupo de prisioneiros palestinos, como um gesto de boa vontade. Depois, entretanto, anunciou planos para a construção de novos assentamentos em Jerusalém Oriental, deixando furiosos os palestinos que lutam para que este território seja a capital de seu futuro Estado.

As negociações nucleares com o Irã, que entrarão em sua segunda rodada em Genebra enquanto Kerry estiver em Jerusalém, também serão um tópico de debate com autoridades israelenses, segundo o porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki. Israel vê um Irã possuidor de armas nucleares como uma ameaça à humanidade e o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, expressou seu ceticismo em relação à abertura do governo dos EUA ao novo presidente Hassan Rouhani, que assumiu o cargo em agosto prometendo reformas.

Depois de visitar autoridades palestinas em Belém, Kerry fará uma curta viagem à Amã, onde discutirá o processo de paz bem como a situação na Síria com autoridades jordanianas. A Jordânia é um dos países mais atingidos pela onda de refugiados que saem da Síria todos os dias em decorrência do conflito.

Depois da Jordânia, Kerry vai aos Emirados Árabes Unidos, outro grande apoiador de um crescente envolvimento americano na Síria, e então voltará para Washington via Norte da África. Na Argélia e Marrocos, ele vai tratar de questões de segurança e contraterrorismo, bem como reformas democráticas e econômicas.

Com AP

Leia tudo sobre: kerryeuaespionagemsíriamundo árabearmas químicasirãarmas nuclearessnowdeneuropaoriente médio

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas