Milhões de telefonemas da Espanha foram alvo de espionagem dos EUA, diz jornal

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Após denúncia feita pelo El Mundo, embaixador americano é convocado a dar explicações à chancelaria espanhola

A Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) recentemente monitorou mais de 60 milhões de ligações telefônicas na Espanha no período de um mês, disse um jornal espanhol nesta segunda-feira (28), citando um documento que fez parte dos vazamentos feitos pelo ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden.

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AP
Manifestantes em frente ao prédio do Capitólio exigem que o Congresso americano investigue programas de espionagem da NSA (26/10)


A reportagem do El Mundo foi publicada em meio à convocação pela Espanha do embaixador americano em Madri para expressar seu descontentamento sobre as denúncias de espionagem contra seus aliados.

Na semana passada, o jornal francês Le Monde publicou denúncias parecidas de espionagem americana na França e a revista alemã Der Spiegel disse que Washington grampeou o telefone celular da chanceler Angela Merkel. Os presidentes do Brasil e do México também teriam sido espionados.

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Segundo o El Mundo, o documento, que traz um gráfico de barras intitulado: "Espanha - Últimos 30 Dias", mostra o tráfego de telefonemas diários entre 10 de dezembro de 2012 e 8 de janeiro de 2013. A publicação afirma que a NSA monitorou os números e a duração das chamadas, mas não o seu conteúdo. O documento não mostra os números.

O El Mundo informou que o sistema Metadata usado pela NSA poderia monitorar emails e mensagens de texto, embora estes não tenham sido vistos no gráfico.

O embaixador americano James Costos, que foi convocado pela Espanha na semana passada para discutir relatos de que o país havia sido alvo de espionagem, encontrou as autoridades do Ministério das Relações Exteriores por 45 minutos na segunda-feira (28).

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Depois, o ministério não fez nenhuma referência à reportagem do El Mundo, mas pediu às autoridades americanas para entregar todas as informações necessárias em relação "as supostas escutas realizadas na Espanha".

A Espanha alertou os EUA "sobre a importância em se preservar o clima de confiança existente nas relações bilaterais e saber a extensão das práticas, que se verdadeiras, são inapropriadas e inaceitávels entre aliados", disse o ministério em comunicado.

Costos, por sua parte, relembrou como a Espanha já foi beneficiada pela inteligência americana. Os EUA "reconhecem que alguns dos nossos aliados mais próximos demonstraram preocupação sobre a recebte série de descobertas não autorizadas de informação confidencial", disse o embaixador.

Denúncias pelo vazamento de Snowden:
Brasil: Leia todas as notícias sobre a espionagem no Brasil
Alemanha: Merkel cobra explicações de Obama sobre suposta espionagem
70 milhões: Telefones da França foram alvo de espionagem dos EUA
Monitoramento: EUA mantêm ampla base de dados telefônicos
Prism: EUA coletam dados de nove empresas de internet
Jornal: EUA podem usar dados de inteligência sem mandado
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Ele afirmou que os programas referidos na imprensa são "programas de segurança nacional que desempenharam um papel crucial na proteção de cidadãos dos EUA. Eles também desempenharam um papel fundamental na nossa coordenação com aliados e na proteção de seus interesses".

Costos se referiu a uma revisão interna ordenada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para garantir que a inteligência que é reunida é "inteligência que deve e precisa ser coletada". "Os EUA precisam equilibrar o importante papel que esses programas desempenham em proteger nossa segurança nacional e proteger nossos aliados com as legítimas preocupações com a privacidade", disse em comunicado.

Até o momento, a Espanha insiste que não foi alertada de nenhum caso de espionagem americana no país.

Mas na sexta-feira, o principal jornal espanhol, El País, citando fontes não identificadas que viram os documentos obtidos dizendo ter visto documentos obtidos por Snowden que mostravam que a NSA monitorava ligações telefônicas, mensagens de texto e emails de milhões de espanhóis e espionava membros do governo e outros políticos.

Com AP e Reuters

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