Ativistas bósnios erguem 'memoriais' a vítimas de crimes da guerra no país

Por Reuters |

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Numa ação sincronizada, eles colocaram placas de mármore idênticas em três cidades neste sábado

Reuters

SARAJEVO - Ativistas da Bósnia ergueram durante a noite "memoriais guerrilha" em homenagem a sérvios, muçulmanos e croatas mortos na guerra de 1992-1995, como forma de protesto pela negação dos crimes de guerra pelas autoridades desse país dos Bálcãs.

Numa ação sincronizada, eles colocaram placas de mármore idênticas em três cidades da Bósnia na madrugada deste sábado.

Os memorais na cidade de Foca, no sudeste, Bugojno, no centro, e Konjic, no sul, traziam o seguinte texto: "Para que nunca aconteça de novo. Em memória às vítimas de crimes de guerra cometidos na área (de Foca, Bugojno ou Konjic)."

Quando a Bósnia tentou se tornar independente da Iugoslávia, em 1992, sérvios bósnios deram início a uma guerra separatista, com o apoio do governo iugoslavo, com sede em Belgrado.

Os sérvios combateram os muçulmanos (também conhecidos como bosniaques) e os croatas. No fim do conflito, muçulmanos e croatas lutaram uns contra os outros.

Na cidade sérvia de Foca, as autoridades locais permitiram a construção de um memorial para mais de 1.600 bosniaques desaparecidos depois que forças sérvias fizeram uma investida na cidade, na primavera de 1992. Muitos foram encontrados depois em valas comuns nas imediações.

Não há memoriais oficiais para os civis croatas presos e mortos por forças muçulmanas em Bugojno nem para homens, mulheres e crianças sérvios mortos por forças conjuntas muçulmano-croatas em Konjic.

A placa de 70 quilos em Foca foi cimentada na calçada diante de um centro esportivo onde centenas de mulheres muçulmanas foram escravizadas e estupradas por sérvios.

Outras foram fixadas em áreas de pedestres de Bugojno e Konjic, mas somente com cola, disseram ativistas, porque não tiveram tempo para cimentá-las durante a ação noturna.

"Esses memoriais foram erguidos pelo povo", disse um ativista do grupo chamado "Porque isso me interessa", cujos membros pertencem a diferentes grupos étnicos e vêm de todas as partes da Bósnia.

"Eles (as autoridades) podem removê-los ou destruí-los, mas nós vamos colocar outros novamente. Nós vamos mostrar para as elites nacionalistas que sua tentativa de amnésia coletiva não está funcionando."

Quase duas décadas depois do fim da guerra, na qual cerca de 100 mil pessoas foram mortas, a Bósnia é um Estado unificado, mas profundamente dividido entre seus três grupos étnicos e se debatendo à margem do bloco europeu ao qual quer se unir.

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