'Não deve existir espionagem entre amigos', diz chanceler da Alemanha

Por iG São Paulo |

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Angela Merkel afirmou antes de cúpula da União Europeia que confiança com os EUA precisará ser reconstruída

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta quinta-feira (24) que a confiança entre os EUA e seus parceiros precisa ser recuperada após as acusações de que a inteligência americana espionou seu telefone celular, e insistiu que não deve haver "espionagem entre amigos".

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AP
Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, conversa com o presidente da França, François Hollande, antes de reunião da UE na Bélgica

Merkel telefonou ao presidente dos EUA, Barack Obama, para cobrar explicações depois de ter recebido a informação de que seu celular teria sido monitorado. A Casa Branca disse que os EUA não estão monitorando e não vão monitorar as comunicações da chanceler - mas não informou se esse fato chegou a ocorrer no passado.

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Em seus primeiros comentários públicos sobre o assunto, Merkel disse que afirmou a Obama que "não pode haver espionagem entre amigos". "Precisamos de confiança entre aliados e parceiros", disse a chanceler ao chegar a uma reunião dos 28 líderes da União Europeia. "Tal confiança agora precisa ser construída novamente. É nisso que precisamos pensar."

Ela destacou que os EUA e a Europa "enfrentam desafios comuns; somos aliados". Mas, acrescentou, "tal aliança só pode ser construída com base na confiança".

Em Berlim, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador americano para dar explicações, enquanto o ministro da Defesa alemão disse que a Europa não pode simplesmente voltar aos negócios normalmente depois que uma série de reportagens de que os EUA estão espionando seus aliados.

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O chefe do gabinete de Merkel, Ronald Pofalla, disse que autoridades fariam um comunicado "inequivocadamente claro" para o embaixador dos EUA John Emerson "e esperamos que todas as questões em aberto sejam respondidas".

O ministro da Defesa Thomas de Maiziere disse à TV ARD que as denúncias de espionagem seriam "realmente ruins" caso fossem confirmadas. "Os americanos são e continuam sendo nossos melhores amigos, mas isso é absolutamente errado", disse.

"Não podemos simplesmente voltar aos negócios como sempre", disse De Maiziere quando questionado sobre os possíveis efeitos nas relações entre os EUA e a Alemanha. Essa semana, a França exigiu explicações sobre uma reportagem que dizia que os EUA coletaram milhões de registros telefônicos de cidadãos franceses, e também convocou o embaixador americano.

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A Alemanha, que possui a maior economia da Europa, é um dos aliados mais próximos aos EUA no continente. Washington foi o protetor da Alemanha Ocidental durante a Guerra Fria (1945-1990) e o país ainda é lar de milhares de tropas americanas.

Um comitê parlamentar alemão que monitora o serviço de inteligência do país realizou uma reunião nesta quinta para discutir a questão, e Pofalla participou. Pofalla disse que o governo recebeu informações da revista alemã Der Spiegel sobre o assunto e então lançaram "um exame extensivo" sobre o material.

A Der Spiegel fez a matéria baseada em documentos fornecidos pelo ex-funcionário terceirizado da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, sigla em inglês) Edward Snowden.

Com AP

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