Autoridades do Paquistão sabiam e apoiavam ataques de drones dos EUA, diz jornal

Por iG São Paulo |

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Publicamente, governo paquistanês se posiciona contra uso de aviões não tripulados como uma violação

Documentos secretos dos EUA revelaram que autoridades do alto escalão do governo do Paquistão têm conhecimento há anos e apoiaram os ataques com aviões não tripulados (drones) da CIA, informou nesta quinta-feira (24) o jornal The washington Post.

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AP
O uso de drones no Paquistão, segundo Washington, é para contenção (foto de arquivo)

A publicação disse que obteve socumentos da CIA e memorandos de diplomatas paquistaneses que indicam que as autoridades recebiam rotineiramente informações secretas sobre as operações.

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Publicamente, o Paquistão ataca o uso de drones e denuncia a morte de civis pelos ataques que têm como alvos suspeitos de terrorismo. Esse foi, segundo o premiê Nawaz Sharif, o tema do diálogo que travou com o presidente americano, Barack Obama, na noite de quarta-feira (23), na Casa Branca, em Washington. Os ataques são profundamente impopulares junto à população paquistanesa.

O governo paquistanês respondeu à reportagem repetindo sua oposição ao uso de aviões não tripulados pelos EUA. "Quaisquer que tenham sido os entendimentos no passado, o atual governo vem sendo muito claro em relação à sua política nessa questão", disse o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão em comunicado.

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"Consideramos tais ataques uma violação da nossa soberania, bem como das leis internacionais", disse, acrescentando que eles também são contraprodutivos.

Os documentos obtidos pelo Post tratam de ao menos 65 ataques com drones no Paquistão nos últimos anos e eram chamados de "pontos de diálogo" em informes da CIA. Embora estivessem marcados como "ultrassecretos", eles estavam prontos para serem liberados ao governo paquistanês, segundo o jornal.

Encontro

O encontro de quarta-feira marcou a primeira vez que Obama e Sharif se encontraram pessoalmente desde que o líder assumiu o cargo em junho. O simples fato de que um diálogo ter acontecido já é indicado como um sinal de progresso após um período particularmente duro nas relações entre os parceiros de segurança.

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Obama reconheceu que ainda há tensões entre os EUA e o Paquistão, mas disse que ele e Sharif concordaram em construir uma relação baseada no respeito mútuo. "É um desafio. Não é fácil", disse.

As tensões atingiram seu grau máximo em 2011 depois da operação dos EUA no território paquistanês que matou o procurado Osama bin Laden e a morte acidental de 20 soldados do Paquistão em um ataque aéreo na fronteira com o Afeganistão no mesmo ano.

Mas há recentes sinais de progresso, com o Paquistão reabrindo as rotas de abastecimento ao Afeganistão que foi fechada em retaliação à morte dos soldados. Antes da visita de Sharif, os EUA decidiram disponibilizar mais de US$ 1,6 bilhão em ajuda militar e econômica ao Paquistão, que havia sido suspenso em 2011.

Com AP

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