Diretor de Inteligência dos EUA contesta denúncia de espionagem à França

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Clapper diz que reportagem do Le Monde sobre coleta de milhões de registros telefônicos é imprecisa e enganosa

O diretor nacional da inteligência dos EUA, James Clapper, contestou a reportagem do jornal francês Le Monde sobre a coleta de registros telefônicos e o grampo de algumas ligações da França por Washington, dizendo que a matéria "contém informações imprecisas e enganosas em relação às atividades estrangeiras da inteligência americana".

Conheça a nova home do Último Segundo

AP
Diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, é visto em foto de 21/04/2010

"A acusação de que a Agência de Segurança dos EUA (NSA, sigla em inglês) coletou mais de 70 milhões de dados telefônicos de cidadãos franceses é falsa", disse Clapper em comunicado enviado por email.

Ele se recusou a discutir os detalhes das atividades da NSA, mas afirmou que "repetidamente, deixamos claro que os EUA reúnem informações do tipo que são coletadas por todos os países para proteger a nação e seus aliados de, entre outras coisas, ameaças como terrorismo e a proliferação de armas de destruição em massa".

Denúncias de espionagem à França:
Voto na ONU:
 Agência dos EUA espionou diplomatas da França, diz jornal
70 milhões: Telefones da França foram alvo de espionagem dos EUA
Reação: França se diz chocada com alcance de espionagem dos EUA

A França é o último de uma crescente lista de países - que inclui Brasil, Alemanha e México - que exigem explicações de Washington sobre seus programas de vigilância . Uma reportagem publicada na segunda-feira (21) pelo Le Monde informou que os EUA coletaram mais de 70 milhões de registros telefônicos franceses e mensagens de texto, além de ter grampeado algumas conversas privadas.

O gabinete do presidente francês, François Hollande, expressou "profunda reprovação", dizendo que a espionagem violava a privacidade dos cidadãos franceses. A Casa Branca afirmou que algumas reportagens distorceram o trabalho dos programas de vigilância americanos, mas afirmou que Obama, em uma conversa por telefone com Hollande, reconheceu que algumas matérias jornalísticas levantaram "questões legítimas entre nossos amigos e aliados"

"O presidente deixou claro que os EUA começaram a rever a forma com a qual coletam inteligência, para que possamos equilibrar adequadamente a legitimidade das preocupações com a segurança de nossos cidadãos e aliados e as questões de privacidade", disse a Casa Branca.

Denúncias pelo vazamento de Snowden:
Brasil: Leia todas as notícias sobre a espionagem no Brasil
Bild: Espionagem alemã usou dados de monitoramento dos EUA
Monitoramento: EUA mantêm ampla base de dados telefônicos
Prism: EUA coletam dados de nove empresas de internet
Jornal: EUA podem usar dados de inteligência sem mandado
Anfitrião: Reino Unido espionou autoridades do G20 em 2009
Guerra cibernética: EUA espionam computadores da China
Diplomatas: Europa exige respostas sobre supostos grampos dos EUA

A reportagem do Le Monde, escrita em parceria com Glenn Greenwald, jornalista que revelou os programas de vigilância americanos baseado em vazamentos do ex-funcionário terceirizado da NSA Edward Snowden, revelou que quando certos números telefônicos eram usados, as conversas eram gravadas automatiamente. A operação de vigilância também coletava mensagens de texto baseada em palavras-chave.

Na segunda, o governo francês convocou o embaixador americano Charles Rivkin para dar explicações. O secretário de Estado americano, John Kerry, que estava em Paris na ocasião, não confirmou as acusações do jornal nem debateu a ação da inteligência. Ele afirmou a repórteres que os EUA discutiriam o programa da NSA com autoridades francesas.

O Le Monde afirmou que de 10 de dezembro de 2012 até 8 de janeiro deste ano, 70,3 milhões de registros telefônicos de cidadãos franceses foram coletados pela NSA. As interceptações chegaram ao seu ponto máximo em 24 de dezembro e novamente em 7 de janeiro, segundo o jornal. Os alvos eram pessoas suspeitas de possuírem ligação com o terrorismo, negócios, política ou o governo francês.

Na terça-feira, o jornal fez uma segunda reportagem revelando que diplomatas franceses tiveram seus emails invadidos pelo programa americano em Washington e na ONU. Com isso, segundo a publicação, os EUA foram capazes de saber de antemão como o país votaria no Conselho de Segurança em relação a novas sanções ao Irã.

Até o momento, a maior objeção ao programa de vigilância da NSA no exterior veio do Brasil. A presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita de Estado a Washington após denúncias de que a agência americana teria interceptado comunicações da líder com seus aliados e a rede de computadores da estatal Petrobras.

Na Alemanha, o governo da chanceler Angela Merkel cancelou um acordo de vigilância da époda da Guerra Fria (1945-1990) depois que reportagens informaram que a NSA estava monitorando comunicações na Europa.

O México também expressou indignação sobre um suposto programa da NSA, revelado pela revista alemã Der Spiegel, que acessou um domínio usado pelo ex-presidente Felipe Calderón e seu gabinete. Além disso, um documento de junho de 2012, indicou que a NSA havia lido os emails do atual presidente Enrique Peña Nieto antes de ele ser eleito.

Com AP

Leia tudo sobre: françaespionagemfisansasnowdenregistros da verizonregistros da internet

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas