Agência dos EUA invadiu email do ex-presidente do México, diz revista

Por iG São Paulo |

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Der Spiegel diz que conta de Felipe Calderón foi acessada tornando gabinete uma 'lucrativa' fonte de informação

Uma das divisões da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, sigla em inglês) invadiu a conta de email de Felipe Calderón enquanto ele ainda era o presidente do México, afirmou a revista alemã Der Spiegel. Segundo a publicação, em maio de 2010, a agência americana conseguiu acessar a conta de email de Calderón e tornou o gabinete presidencial uma "lucrativa" fonte de informação.

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AP
Presidente mexicano, Felipe Calderón, participa de evento na Cidade do México (foto de arquivo)

Os detalhes sobre a suposta invasão da conta de Calderón pela NSA foram retirados de um documento vazado pelo ex-prestador de serviço da agência Edward Snowden, segundo a reportagem. As informações vazadas por Snowden provocaram reações de repúdio contra Washington na América Latina, principalmente do Brasil, que também foi alvo de espionagem dos EUA, segundo denúncias.

A NSA obteve sucesso em invadir um servidor central na rede da Presidência mexicana, utilizado por diversos membros do gabinete de Calderón, colhendo valiosas informações sobre assuntos diplomáticos e econômicos, de acordo com a Der Spiegel.

Sem citar diretamente a reportagem alemã, amplamente replicada na mídia mexicana, o Ministério das Relações Exteriores do México condenou, no domingo, as recentes denúncias sobre "ações suspeitas de espionagem perpetradas pela Agência de Segurança Nacional (dos EUA)". "É uma prática inaceitável, ilegal e contra a lei mexicana e internacional", diz o comunicado do Ministério.

O México é um dos maiores parceiros comerciais dos EUA e a denúncia pode afetar as relações em um momento no qual os dois lados buscam melhorar a cooperação em questões como a segurança de fronteiras e a luta contra o crime organizado.

O Ministério recordou no comunicado que o presidente dos EUA, Barack Obama, alegou na mais recente reunião com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, que sucedeu Calderón em dezembro, estar comprometido com a condução de uma "exaustiva investigação" sobre os responsáveis pela suposta espionagem. "Em um relacionamento entre vizinhos e parceiros não há espaço para as ações que foram supostamente conduzidas", acrescentou.

Peña Nieto, que de acordo com outras reportagens também foi vítima da espionagem da NSA antes de assumir o mandato, já havia classificado as denúncias de espionagem pelos EUA como "inaceitáveis", em julho.

Mesmo assim, o México, que envia 80%de suas exportações para os EUA, teve uma reação mais contida às alegações de espionagem do que o Brasil. No mês passado, a presidente Dilma Rousseff adiou indefinidamente uma visita de Estado a Washington que estava marcada para outubro por causa das revelações de que a NSA espionou suas comunicações. Dilma também atacou a espionagem dos EUA em seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU.

Com Reuters

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