Em meio à conferência do Irã, Israel exalta na TV atual preparo contra ameaças

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel | - Atualizada às

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Filme exibido mostrou despreparo israelense em guerra de 1973, que moldou o Estado judeu e o tornou sempre alerta

Nesta semana, duas preocupações tomaram conta dos países com poder de decisão no mundo. Uma foi o estado de nervos em que viveu a economia mundial, com o impasse no Congresso americano, que forçou o governo Obama a fechar as portas por 16 dias. Sem autorização do Congresso para elevar o teto da dívida pública, o país teria de deixar de pagar os juros aos detentores de títulos.

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AP
Visão geral antes da abertura das reuniões a portas fechadas sobre o programa nuclear do Irã em Genebra, Suíça

Se a situação nos EUA persistisse, haveria uma crise mundial. Foi resolvida na última hora. Mas, a confiança que existia no dólar, pelo maior credor dos EUA, a China, que controla trilhões de dólares da dívida americana, não é a mesma. Se fala nos meios financeiros que a China começará a fazer caixa, com moedas fortes de outros países.

O mundo ocidental, que realiza todos seus negócios em dólar, respirou aliviado. Pelo menos, até meados de janeiro-fevereiro de 2014, não precisa se preocupar.

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A segunda questão foi a reunião dos cinco principais membros do Conselho de Segurança da ONU, além da Alemanha, em Genebra, com representantes do Irã, para discutir meios de se evitar que os persas continuem no caminho de construir sua bomba nuclear. Não se tem dúvida de que Israel não vai aceitar, de forma alguma, viver sob a permanente ameaça iraniana de destruir o Estado judeu.

Não terá sido por mera coincidência que, nos últimos dias, os israelenses destacavam em todos os meios de comunicação o que quase aconteceu em 1973, com ataque de forças egípcias, de um lado, e da sírias, do outro, pegando o seu Exército desprevenido.

O documentário apresentado na televisão estatal diz que o país estava despreparado para o confronto. Diz que Moshe Dayan, lendário general caolho, ministro da guerra do governo de Golda Meir, chegou a admitir para auxiliares que Israel estava na iminência de ser derrotado, em outras palavras, como teria dito: O fim do Terceiro Templo estaria chegando.

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Os israelenses se reorganizaram e o que se vê no documentário é um ministro de defesa americano determinando toda ajuda em equipamentos, munições, necessários ao combate fossem fornecidas, imediatamente, a Israel. O então secretário de Estado dos EUA Harry Kissinger foi gravado revelando que fazia de tudo para evitar a derrota. No final, houve um armistício, no qual, evolui-se para a paz entre um país árabe, Egito, e outro judeu.

O cessar-fogo com a Síria se realizou com artilharia de Israel, situada a poucos quilômeros de Damasco. Os israelenses mantiveram as Colinas do Golan. Tudo isso se viu no documentário, transmitido na noite de quarta-feira (16), com novos capítulos nas próximas semanas.

A guerra de 73, chamada de Guerra do Yom Kipur, marcou definitivamente a doutrina militar nacional e o pensamento do povo judeu. Não se ignora que o país, hoje, está mais forte do que nunca, em permanente alerta e não deixará se surpreender.

O que a liderança enfatiza é que Israel está preparado para se defender de quaisquer ameaças. O general Shaul Mofaz, iraniano de nascimento e educação, ex-chefe do Estado Maior de Israel, não concorda com o otimismo europeu e, aparentemente, americano, de que as conversações com o Irã, que serão retomadas em novembro, previstas para durarem um ano, produzam um Teerã avançado na aplicação, de fins pacíficos, da energia atômica, como afirmam seus dirigentes.

O governo do Irã até se compromete a permitir rigorosa inspeção de seus laboratórios nucleares. Mofaz prevê que o tempo de conversações será utilizado para concluir o projeto e se transformar numa potência atômica.

Em Israel, os grupos bem informados, da situação e da oposição, não estão tranquilos, com as conversações. Muitos acham que um conflito será inevitável.

Colaborou Nelson Burd

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