Greenwald, jornalista que revelou espionagem dos EUA, deixa The Guardian

Por Reuters |

compartilhe

Tamanho do texto

Segundo fontes, americano que vive no Brasil participará de novo empreendimento de mídia do fundador do eBay

Reuters

Glenn Greenwald, jornalista que fez manchetes em todo o mundo com suas reportagens sobre os programas de vigilância eletrônica dos EUA, está deixando o jornal The Guardian para participar de um novo empreendimento de mídia financiado pelo fundador do eBay, Pierre Omidyar, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

Conheça a nova home do Último Segundo

Agência Senado
Jornalista Glenn Greenwald fala à CPI da Espionagem

Greenwald, que mora no Brasil e foi um dos primeiros a revelar informações fornecidas pelo então prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) Edward Snowden, escreveu em seu blog nesta terça-feira que foi presenteado com uma "oportunidade única dos sonhos na carreira jornalística" que não podia deixar passar.

Greenwald na CPI: Jornalista não descarta novas espionagens contra o Brasil

Jornalista sobre rede espiã dos EUA: 'Há mais informações'

Ele não revelou detalhes do novo empreendimento de mídia do qual participará, mas disse que os detalhes serão anunciados em breve. Greenwald não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Duas fontes familiarizadas com o novo empreendimento disseram que o financiador do projeto era Omidyar. Não ficou imediatamente claro se ele era o único financiador ou se havia outros parceiros. Omidyar tampouco pôde ser imediatamente contatado para comentar o assunto.

Omidyar, presidente do conselho do eBay, mas que não está envolvido nas operações do dia-a-dia da empresa, tem inúmeras atividades filantrópicas, comerciais e políticas, principalmente por meio de uma entidade de investimento chamada Omidyar Network.

A Forbes estimou o patrimônio líquido de Omidyar, de 46 anos, em US$ 8,5 bilhões. Entre seus empreendimentos está a Honolulu Civil Beat, um site de notícias que cobre assuntos públicos no Havaí. A Civil Beat tem como objetivo criar um novo modelo de jornalismo online, embora não esteja claro quão bem sucedido tem sido.

Omidyar, um iraniano-americano nascido na França, também fundou o Fundo para a Democracia para apoiar "empreendedores sociais que trabalham para garantir que nosso sistema político seja sensível para o público", de acordo com seu website.

Denúncias pelo vazamento de Snowden:
Brasil: Leia todas as notícias sobre a espionagem no Brasil
Bild: Espionagem alemã usou dados de monitoramento dos EUA
Monitoramento: EUA mantêm ampla base de dados telefônicos
Prism: EUA coletam dados de nove empresas de internet
Jornal: EUA podem usar dados de inteligência sem mandado
Anfitrião: Reino Unido espionou autoridades do G20 em 2009
Guerra cibernética: EUA espionam computadores da China

A conta no Twitter ativa de Omidyar sugere que ele está muito preocupado com os programas de espionagem do governo expostos por Greenwald e Snowden.

O ex-funcionário da NSA recebeu asilo na Rússia em 1º de agosto. Ele vive em um local secreto fora do alcance das autoridades norte-americanas, que o reivindicam sob a acusação de espionagem porque vazou à imprensa detalhes de programas sigilosos de espionagem.

"Lá se vai a liberdade de associação: A NSA recolhe milhões de livros de endereços de emails globalmente", Omidyar escreveu no Twitter nesta terça-feira, apontando para uma nova reportagem do Washington Post com base em documentos de Snowden.

Uma porta-voz do The Guardian, Jennifer Lindauer, disse em comunicado publicado no site de Greenwald: "É claro que estamos desapontados com a decisão de Glenn de seguir em frente, mas apreciamos a atração da nova função que lhe foi oferecida. Desejamos a ele o melhor."

A notícia da partida de Greenwald do jornal britânico foi informada anteriormente pelo Buzzfeed.

Leia tudo sobre: MUNDOMIDIAGREENWALDGUARDIAN

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas