Entenda quais seriam as consequências de um calote da dívida dos EUA

Por iG São Paulo |

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Segundo o Tesouro americano, Congresso tem até dia 17 de outubro para alcançar acordo e elevar o teto da dívida

Os republicanos e os democratas no Congresso dos EUA enfrentam difíceis negociações para elevar o teto da dívida do governo americano - hoje em US$ 16,7 trilhões - e impedir um calote da dívida. Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, se um entendimento não for alcançado até quinta-feira (17), o governo perderá sua capacidade de se endividar e terá que pagar suas contas apenas com seus fundos e receitas de impostos.

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AP
Prédio do Capitólio, em Washington, é visto sob céu cheio de nuvens durante entardecer (7/10)

A elevação do teto da dívida, geralmente, é aprovada de forma rotineira no Congresso americano. Porém, republicanos usaram a medida como moeda de troca para conseguir cortes de gastos com programas de benefícios sociais. O mesmo foi feito com a aprovação do orçamento temporário para financiar agências e programas do governo. Como o Congresso não conseguiu chegar a um entendimento até o início do ano fiscal, em 1º de outubro, o governo encontra-se parcialmente paralisado, com cerca de 350 mil funcionários públicos federais de licença forçada e sem remuneração.

Muitos no Congresso esperam uma resolução, mesmo que ela chegue com alguns dias de atraso. No melhor dos casos, entretanto, deputados e a Casa Branca vão concordar em financiar o governo apenas até dezembro e elevar o teto da dívida apenas até fevereiro.

O que é um calote da dívida dos EUA?

Um calote ocorre quando uma pessoa ou uma instituição não consegue pagar suas dívidas dentro do prazo. Quando isso acontece com um país - o chamado calote soberano - significa que o governo não conseguiu pagar suas dívidas, que, normalmente, assumem a forma de títulos. Ou seja, se os EUA derem o calote, quer dizer que o país não terá conseguido pagar o que deve aos detentores de títulos do Tesouro.

É necessário saber que o governo americano gasta mais do que arrecada com impostos. Então, para compensar o déficit, ele arrecada fundos de investidores que compram títulos do Tesouro dos EUA, historicamente considerado um investimento seguro e interessante.

Quais são as consequências de um calote da dívida dos EUA?

Ninguém sabe exatamente o que pode acontecer, mas a probabilidade é de prejuízo nos mercados e elevação nas taxas de juros em todo o mundo. Isso ocorreria porque se o governo dos EUA não conseguir pagar o que deve aos detentores de títulos, o valor destes títulos cairia. E o rendimento - o retorno que o governo paga aos investidores - cresceria, porque os títulos passariam a ser considerados pelo mercado um investimento bem menos seguro.

Isso elevaria as taxas de juros ao redor do mundo, que normalmente estão vinculadas aos do Tesouro dos EUA.

Três dos banqueiros mais poderosos - o presidente-executivo do Deutsche Bank, Anshu Jain, o presidente-executivo do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, e o presidente-executivo do BNP Paribas, Baudouin Prot - disseram que um calote teria consequências dramáticas sobre o valor da dívida dos EUA e do dólar.

O Goldman Sachs estimou que seriam retirados imediatamente US$ 175 bilhões da economia americana o que levaria a uma profunda recessão.

Se o Congresso americano não alcançar um acordo sobre o teto da dívida, quando começaria o calote?

Em algum momento após o dia 17 de outubro, e, provavelmente, antes do fim do mês. Mas o calote não ocorre quando o relógio der meia-noite do dia 18 de outubro. Não se sabe o dia e o horário exatos nos quais os EUA ficarão incapacitados de pagar suas contas. O Gabinete do Orçamento do Congresso estima que um calote técnico ocorreria entre 22 de outubro e 1º de novembro. O Tesouro afirma que isso aconteceria a partir de 17 de outubro.

Por que não é possível estabelecer uma data para o calote?

Autoridades dos EUA e economistas dizem ser impossível saber quão rápido o caixa que o governo possui se esgotará a partir de 17 de outubro. Se não houver um acordo até esta data no Congresso, o Departamento do Tesouro seria incapaz de entrar em qualquer dívida a partir de 18 de outubro. Então, o país contaria apenas com o seu caixa - o que não ultrapassa US$ 30 bilhões.

Os EUA já deram um calote antes?

Não. Há três exemplos na história americana que chegaram perto de um calote, o mais recente em 1979. Nesta ocasião, o Tesouro inadvertidamente deu um calote de US$ 122 milhões, porque, segundo ele, houve um erro de processamento.

Embora o erro tenha sido rapidamente corrigido, e apesar de US$ 122 milhões representar uma fração minúscula comparada a hoje, segundo a BBC, um estudo descobriu que esse pequeno calote elevou o custo de empréstimo em 0,6%, ou US$ 6 bilhões por ano.

As outras duas ocasiões, em 1933 e em 1790, envolveram calotes parecidos com o que acontece hoje na Grécia, quando os credores são forçados a resgatar menos dinheiro do que lhes era devido. A definição disso como um calote é um tema polêmico na economia.

Com agências internacionais

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