Câmara dos EUA aprova acordo, evita calote e encerra paralisação

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Após 16 dias de paralisação, democratas e republicanos alcançam consenso e aprovam medida temporária

A Câmara dos Estados Unidos aprovou na noite desta quarta-feira (16) um acordo de última hora para acabar com a crise política que paralisou parcialmente o governo federal e levou a maior economia do mundo à beira de um calote da dívida que poderia ter provocado uma calamidade financeira global.

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O presidente da Câmara, John Boehner, caminha até a sala para votar a medida aprovada no Senado no Capitólio, Washington

O Senado, controlado pelos democratas, aprovou o texto por 81 votos a favor e 18 contra, e a Câmara, liderada pelos republicanos, seguiu o exemplo e aprovou a lei por 285 votos a favor e 144 contra.

O documento foi assinado em seguida por Barack Obama pouco depois da meia-noite (horário local), encerrando a paralisação de 16 dias do governo. Em discurso na Casa Branca, Obama afirmou que a retomada do governo será feita imediatamente. "Vamos começar a dispersar essa nuvem de incerteza que cerca nossos executivos e todos os norte-americanos", disse.

EUA: Senado chega a acordo para impedir calote e reabrir governo

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Obama agradeceu também o empenho dos dois partidos, democrata e republicano, para superar a crise. Segundo ele, apesar das diferenças que separam os dois, uma série de questões podem ser trabalhadas em conjunto.

Mas o primeiro ponto que mencionou é quase tão controvertido quanto a reforma da saúde rejeitada pelos republicanos: a mudança no sistema de imigração, seguida da lei agrícola e do orçamento.

Obama defendeu que as últimas três semanas sejam "deixadas para trás" e que todas as mudanças necessárias sejam aprovadas ainda neste ano. "Uma das coisas que eu disse durante esse processo é que nós precisamos nos livrar do hábito de governar por meio de crises", declarou o presidente.

Acordo

O acordo alcançado nesta quarta, no entanto, oferece apenas uma solução temporária e não resolve as questões fundamentais de gastos e déficits que dividem republicanos e democratas.

O acordo emergencial financia o governo até 15 de janeiro e eleva o teto da dívida até 7 de fevereiro, quando os norte-americanos correm o risco de enfrentar outra paralisação do governo.

O mercado acionário dos EUA subiu, quase atingindo o patamar mais alto de todos os tempos, com a notícia do acordo.

Entenda o caso

A crise teve início em 1º de outubro, quando o governo entrou em paralisação parcial depois que os republicanos da Câmara se recusaram a aprovar um orçamento temporário a menos que Obama concordasse em modificar ou adiar a lei da sua reforma da saúde, conhecida como ObamaCare.

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Obama fala com jornalistas pouco antes de assinar acordo

Na época, cerca de 800 mil funcionários chegaram a ficar de licença forçada e não remunerada, fechando museus, parques nacionais e suspendendo serviços considerados não essenciais. Conforme os dias passavam, e o Congresso continuava em impasse, os Estados e departamentos estabeleceram acordos que possibilitaram a rebertura de alguns serviços e a convocação da maior parte dos funcionários.

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Separadamente, os republicanos conservadores também se recusaram a aprovar a elevação do teto da dívida - a capacidade que o Tesouro tem para se endividar e pagar suas contas - deixando o país sob o risco de um possível calote. Isso porque queriam o corte de gastos federais com programas sociais e outros benefícios.

Banqueiros e especialistas demonstraram preocupação de que, se deputados e senadores não chegassem a um entendimento, a economia mundial poderia, novamente, mergulhar em uma recessão profunda.

Tanto a elevação do teto da dívida quanto o orçamento temporário são medidas geralmente aprovadas rotineiramente no Congresso, mas os republicanos usaram-nas como moeda de troca para impor suas exigências à força. Isso fez com que seus níveis de popularidade entre os americanos caíssem consideravelmente um ano antes das eleições legislativas no país.

*Com AP Reuters e AE

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